Já se sabia que o juro alto alimenta a inflação e que a inflação deriva para a alta do juro e do imposto. O Brasil encontra-se neste círculo vicioso, conforme estudo de destacados especialistas, ora divulgado e que confirma tal realidade. O próprio Governo é vítima desse tresloucado sistema, pois pagou de juro de sua dívida, no ano passado, R$ 128 bilhões, o que corresponde a quatro vezes o rombo da Previdência. Esse altíssimo custo é fator de permanente preocupação. Para combater isso, o Governo, ao invés de tapar os ralos do gasto desnecessário e exagerado, aumenta a carga fiscal, assim favorecendo a alta de preços da indústria, do comércio e dos serviços e, consequentemente, a inflação, que de sua vez deflagra a elevação do juro. Seguindo essa corrente, a taxa básica deverá subir de novo na próxima reunião do Comitê de Política Monetária. Juro, imposto e inflação são irmãos gêmeos, segundo aqueles analistas, e como solução eles recomendam a baixa da Selic e a desoneração tributária do setor produtivo. O fardo dos impostos, no ano passado, elevou-se para 36,8% do PIB, portanto uma alta de 1,5% em relação a 2003. Desse aumento, só o Cofins contribuiu com 45%, atingindo o grande pagador e elevando custos e preços industriais. Cofins e PIS reforçados entram na base de cálculo do ICMS, levando a um aumento também desse imposto. É a corrosiva reação em cadeia, cujo resultado é insolvência e subdesenvolvimento. Hoje o Congresso volta à ativa e já encontra na pauta uma nova proposta de elevação tributária: a inesperada Medida Provisória 232, que onera produtores rurais (em seu ítem 6º), incluindo os da agricultura familiar, até agora isentos, e as empresas prestadoras de serviços. Mais uma investida da Receita esfomeada e barriga-sem-fundo sobre a exaurida base produtora. Portanto, mais um naco de descapitalização do centro vital o que produz, emprega e paga impostos em favor da centralização de renda nas mãos do Governo, gastador e mau administrador. A bola da vez é a MP em questão, que deverá centrar as atenções do Congresso a partir de hoje, até porque há forte pressão contrária das lideranças da agricultura, da indústria, da Ordem dos Advogados do Brasil, de partidos políticos e outras representações. A solução para a quebra do círculo vicioso juro/imposto/inflação, segundo aqueles especialistas José Roberto Afonso, Érika Amorim Araújo e Amir Khair (este do PT) é desonerar a carga tributária, como início do giro inverso da roda e no sentido da queda do juro, do imposto e da inflação, e assim sucessivamente. É preciso dar a arrancada para esse movimento, ou o círculo não terá fim.

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