O cidadão fiscalizador
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
Folha de Londrina 
A cultura política não é o forte do brasileiro e essa característica se reflete em muitos dos nomes vitoriosos que saem das urnas. A redemocratização após o período da ditadura militar não foi ainda o suficiente para amadurecer as atitudes dos cidadãos em relação às instituições políticas. O brasileiro frequentemente diz que não confia nos políticos, mas não parece estar disposto a acompanhar de perto o trabalho dos homens e mulheres que foram eleitos nas diversas esferas dos poderes Executivo e Legislativo.
O recesso parlamentar é um desses motivos frequentes de queixa do cidadão em relação ao trabalho dos políticos. Não é para menos. São 55 dias de recesso por ano, regulamentado por uma emenda constitucional aprovada em 2006, uma das consequências da pressão pública contra o Congresso frente ao escândalo do Mensalão. Antes, a regra estabelecia o direito a 90 dias de férias e o salário em dobro, caso houvesse uma convocação extraordinária. Ou seja, durante muito tempo era o triplo dos 30 dias de férias do trabalhador comum. Um privilégio enorme em um país tão desigual.
No último dia 20, o recesso parlamentar começou no Brasil. Mas a pausa maior do que um mês é justificada pelos deputados e vereadores como oportunidade de voltar às bases e ouvir o eleitorado.
Durante o processo de pausa no legislativo, os trabalhos dos parlamentares tendem a se intensificar nos escritórios em suas cidades de origem. Todos os deputados estaduais e federais eleitos a partir da base eleitoral em Londrina mantêm suas representações abertas durante todo o ano. No último FDS, a FOLHA trouxe reportagem mostrando como será o recesso entre deputados da região de Londrina e endereços dos escritórios, onde o cidadão poderá entrar em contato com o seu representante na Assembleia Legislativa ou Congresso.
Todos os projetos que tramitam tanto no Congresso como nas assembleias estaduais e nas câmaras de vereadores ficam suspensos durante esse período, mas o trabalho dos bastidores não deveria perder a intensidade. O recesso parlamentar existe em todos os países, mas vale lembrar que o parlamento brasileiro é um dos mais caros.
Segundo dados da União Interparlamentar, organização internacional que estuda os legislativos de diferentes países, o legislativo federal é o segundo do mundo entre os que mais consomem os cofres públicos, numa estimativa de R$ 10,8 bilhões, atrás somente do americano. Estimativas dão conta que o número de servidores tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal chega a 25.000 pessoas, um índice que assusta quando lembramos que quatro mil municípios brasileiros têm população inferior a esse número.
Um parlamento tão caro ao bolso do cidadão precisa responder com mais eficiência aos anseios da sociedade. Ninguém melhor do que o eleitor para fiscalizar o trabalho dos parlamentares. Quando se trata de política, a população precisa sair da posição de expectadora e assumir uma postura participativa.
Obrigada por ler a FOLHA!


