O cenário do setor de eventos na era COVID-19: reflexões, tendências e a auto-eco-organização
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sábado, 18 de abril de 2020
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A Teoria da Complexidade, estudada por Edgar Morin diz que, diante do caos que se estabelece num cenário complexo, o que se pode esperar é que aconteça uma auto-eco-organização. Tracemos então um paralelo da complexidade e o setor de eventos. Nada mais será simples. A humanidade ainda está tentando se recuperar do susto que levou por conta da COVID-19, isso é fato. Muitos têm especulado de como será o “pós-crise”, de quanto vai ficar o PIB, de quanto será o prejuízo, mas a verdade é que ninguém tem ideia de como ficará a cena business.
Com o objetivo de compreender quais os impactos da COVID-19 no mercado de eventos, o Programa Gestão de Projetos para Eventos – GPE realizou uma pesquisa com profissionais atuantes no setor em Londrina e região. A fim de ampliar o debate sobre o tema, tecemos algumas reflexões, a partir dos dados coletados pela pesquisa.
Em termos de oportunidades, toda crise revela as suas. Mudanças econômicas, sociais (foco no comportamento) e ambientais serão a tônica dos novos eventos. Em destaque, a pesquisa realizada aponta para a necessidade de “uma avaliação mais criteriosa do propósito dos eventos”. Eventos que agreguem mais valor, socialmente e ambientalmente sustentáveis, ao ar livre, por exemplo? Enfim, possibilidades que visem qualidade, e não quantidade, serão mais apreciados.
Já que não serão muitos, os que vencerem a crise terão de ser muito bons e criativos para terem a sua audiência. Por consequência, os espaços de eventos terão as agendas disputadas, uma boa oportunidade para que possam melhorar as suas estruturas física e de gestão. Os participantes da pesquisa também apontam que os públicos terão “preferência para eventos locais e regionais”. Isto nos situa diante da preferência por eventos que possibilitem viagens por terra, ou voos regionais de curta duração. Imagine ficar por mais de duas horas voando ao lado de pessoas potencialmente infectadas, dentro de aeronaves cujas poltronas estão cada vez menores? Neste cenário, abre-se mais espaço para as companhias regionais, ou transportes alternativos que ofereçam riscos menores.
Por fim, outra opinião destacada na pesquisa é “a adoção de muita tecnologia colaborando para a segurança de todos”. Trabalhar em rede, alimentando devidamente seus laços e relações sociais nunca foi tão estratégico, haja vista a nossa interdependência. A tecnologia à serviço da solidariedade, bem como no impulsionamento, ou até mesmo no salvamento dos negócios é um fato inegável.
E falando em negócios, é impressionante verificar que inúmeras reuniões que envolviam deslocamento, agora estão sendo realizadas com hora de começo e fim, por conta de plataformas como o Zoom.
E o que dizer dos reflexos ambientais, em consequência deste não deslocamento? Todos puderam observar através da mídia a limpeza do rio de Veneza, ou a vista das montanhas do Himalaia, ou até mesmo ver o nosso céu mais azul. A camada de ozônio chegou a ter mudança no tamanho da fenda.
O caso é que o simples não existe mais, o espaço e o tempo não são mais as variáveis imperativas no nosso setor, já que ambos podem ficar congelados por conta de um vírus, gerando um ambiente de caos. O que a COVID-19 nos ensinou? Deixar o carro na garagem, fazer mais exercícios, conviver como quem nos importamos, higienizar melhor nossos corpos e mentes, trabalhar com quem gostamos, parar de gastar desenfreadamente e, quem sabe, transcender para poder melhorar como pessoa. Exponencialmente, esses novos comportamentos tendem a migrar para o mundo corporativo, na busca de comportamentos mais sustentáveis, para negócios socialmente mais justos, colaborativos e ambientalmente corretos. Diante dos fatos, não deixa de ser uma auto-eco-organização.
Maitê Uhlmann é mestra em Administração pela UEL e idealizadora do GPE Londrina – Gestão de Projetos para Eventos.


