O cenário da educação no País
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de janeiro de 2015
Andrea Pizaia Ornellas 
Estudo recente realizado pelo movimento Todos pela Educação mostra um cenário pouco animador quando o assunto é o comportamento das famílias quanto à rotina escolar de crianças e jovens. A pesquisa Atitudes pela Educação apontou que apenas 12% dos pais são comprometidos, acompanham o desempenho dos filhos, comparecem às atividades da instituição e têm relação próxima com crianças e jovens. Na outra ponta, os considerados distantes somaram 19% e apresentaram o conjunto de respostas que demonstra o grau mais baixo de vínculo com a criança e valorização da educação. Esse perfil se caracteriza principalmente por pais que não se relacionam com outros pais e com a escola e dão pouco espaço para o diálogo com os filhos.
A pesquisa ouviu famílias de alunos da rede pública e privada de ensino, da Educação Infantil ao Ensino Médio, de todas as regiões do País. Dependendo da maior ou menor valorização da educação e vínculo com a criança ou jovem, o estudo classificou os familiares como comprometidos, distantes, envolvidos (25%), vinculados (27%) e intermediários (17%).
O número de comprometidos é bastante baixo se pensarmos que o desenvolvimento das crianças na escola está diretamente ligado ao envolvimento dos pais nesse processo. A participação efetiva das famílias no ambiente educacional reflete avanços social, emocional, cognitivo e físico das crianças, uma vez que com a presença de pais ou responsáveis elas se sentem mais seguras para as relações e aprendizados. E pode ir muito além, já que na medida em que estão presentes, os pais conseguem identificar necessidades e dificuldades específicas dos filhos e ajudá-los a superar os obstáculos, procurando alternativas inclusive fora do ambiente escolar.
Surpreende, por sua vez, entre os 12% que se consideram presentes na vida escolar dos filhos, que 86% deles se informem sobre a proposta de ensino da escola, 91% respeitem a opinião das crianças e jovens e 79% mantenham contato com a instituição sobre o desenvolvimento do aluno. E o caminho é este mesmo: conhecer a proposta pedagógica da escola e analisar se é compatível com o que a família acredita e espera como ensino para os filhos. Ao mesmo tempo que acompanhar de perto crianças e jovens, conhecer a atuação da escola, participar de reuniões, ajuda a família a reforçar a importância desse ambiente para os filhos. Se eles percebem o apreço e a confiança dos pais pela instituição, vão sentir essa valorização e o processo de aprendizado será baseado em confiança, o que é muito mais fácil.
Ainda, um número interessante apresentado pela pesquisa é o de que 100% dos pais, entre os 12% que se consideraram comprometidos com a educação dos filhos, disseram que gostam de momentos em família. A escola, sabemos, não pode ocupar nem substituir o contexto familiar e um ambiente familiar saudável, por sua vez, reflete diretamente no aprendizado dos alunos. A educação, segundo o Ministério da Educação, tem como objetivo formar o indivíduo, desenvolvendo suas capacidades cognitivas, afetivas, éticas, estéticas, de inserção pessoal e relação interpessoal. Essas capacidades não são apenas desenvolvidas no ambiente escolar, por isso as relações familiares têm uma grande influência na forma das crianças se relacionar com o outro e na aquisição e externalização do conhecimento.
Infelizmente, a realidade nem sempre se desenha dessa forma, com tanto envolvimento das famílias na escola. Mas é possível reverter o quadro, apesar de não ser fácil. Cabe à escola, tanto a privada quanto a pública, o primeiro passo para se aproximar da família, convidando para reuniões e eventos pedagógicos ou festivos. Por meio de conversas e troca de ideias, os pais têm a oportunidade de se aprofundar na proposta da escola, fazer sugestões, contribuir para mudanças, se envolver com o aprendizado do filho e oferecer mais segurança para ele no universo escolar. É preciso que pais e escola estejam certos do quê e como esperam o futuro de suas crianças e seus jovens.


