Ataques não faltaram. A imprensa caiu de pau. Criticou sem pena a semana de 24 horas. Que história é essa de deputado trabalhar um dia e folgar seis? O resultado é um só. Falta quorum para as votações. Numa dessas, a CPMF sobrou.
Aecinho se fez de desinformado. Mas ameaçou. Vai obrigar Suas Excelências a batalhar de terça a quinta e cortar o ponto dos faltosos. O Planalto esperneia. Teme perder R$ 2 bilhões com o atraso da decisão. O jeito? Passar a tesoura no dinheirinho de hospitais, escolas, polícia, creches... Enquanto isso...
Onze deputados se mandaram pro Marrocos. As más línguas não deixaram por menos. Disseram que eles haviam ido assistir ao casamento de Jade. Recusar o convite? Só louco.
Agora, a verdade veio à tona. Geddel Vieira de Lima comandou a comitiva. Mas eles não apareceram na festança. Estavam a trabalho. Escolheram a solidão do deserto na busca de um objetivo – encontrar saídas para a CPMF.
Primeiro ponto: o ‘‘p’’ do nome. O imposto nasceu provisório em 1994. Mas virou permanente. Que tal assumir? É brabo. O danado tem um montão de desvantagens. Uma delas: é injusto. Pobres e ricos pagam a mesma alíquota. Ora, R$ 5 na conta de um salário-mínimo pesa muito mais que na de Antônio Ermínio de Moraes.
A outra: incide em cascata. Vale o exemplo. O triticultor desembolsa 0,38% quando compra a semente. Planta e colhe. O padeiro compra o trigo. Paga outra vez 0,38%. Nós compramos o pãozinho. Pagamos de novo 0,38%. O bolso reclama. Exportar fica mais difícil.
Mas a CPMF tem um mérito. Com ela, o Leão põe as garras nos sonegadores. Abrir mão de instrumento tão útil? Nem pensar. Melhor buscar alternativa. O imposto é ruim por causa da alíquota. Pode-se torná-la simbólica. Que tal 0,01?
Idéia brilhante em mente brilhante. Mas há um senão. O que fazer com a síndrome de privação? A CPMF corresponde a 8% da receita prevista para 2002. Como tapar o rombo? O pôr-do-sol trouxe a resposta. Aprovar a danada até 2010 com taxas declinantes. A cada ano, a porcentagem diminuiria. Até chegar ao mínimo.
Enquanto isso... A Receita não dormiria no ponto. Rearticular-se-ia. O aumento da eficiência compensaria com sobras as perdas. Mais gente contribuiria. E menos empresas abusariam da elisão fiscal.
Na Câmara, a causa está perdida. Mas o Senado pode simpatizar com a solução. A idéia não desagrada ao governo. E acaricia os eleitores. Permanente, a CPMF daria folga aos Geddéis da vida. Além de Paris, eles poderiam dar um pulinho no Japão. À custa da Câmara, claro!
DAD SQUARISI é jornalista em Brasília

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