Somos seres humanos, por isso mesmo somos seres desprezíveis que espira, chora, tosse, reivindica, fala mal do próximo, especula...
Veja só o que se passa na Terra de Cabral: a taxa de juros da nossa economia está fixada em 18,5% ao ano, mas o sistema bancário está cobrando perto de 45%. Os juros dos cheques especiais e similares atingem o índice astronômico de 120% a.a.
Um exemplo, significativo, disso tudo, é comparar os dois extremos. Quem aplicou R$ 100,00, na poupança, no início do Plano Real, está, hoje, com cerca de R$ 365,00 reais em sua caderneta de poupança. Analisando a outra ponta, em vez de se aplicar na poupança, no mesmo período, utilizasse o cheque especial com os mesmos R$ 100,00, o cidadão brasileiro estaria com uma dívida de R$ 149.712,00, ou seja, o brasileiro estaria devendo 748,56 salários mínimos. Dessa forma, quem ganha um salário mínimo teria que trabalhar 62,38 anos para pagar a referida dívida ''contraída''. Ao passo que a poupança, ao longo deste período, oito anos, seria o equivalente a 1,82 mês. A diferença é magistral, não é mesmo senhores?
É, justamente, por essa desigualdade que estão faltando postos de trabalho para os brasileiros. Havendo falta de emprego a sociedade se obriga à procurar novas alternativas, nem sempre adequadas. Por isso estamos vivendo um verdadeiro caos, com a ineficiência na segurança, na saúde, na educação etc.
Chegamos ao limite em que a sociedade bandida usa fuzis AR-15, bazucas, granadas, mísseis e as armas das mais alta sofisticação, enquanto a sociedade honesta, a polícia, usa estilete e espingarda de dois canos com cartuchos primitivos. Isso, infelizmente, vem ocorrendo há anos. Só àqueles que nos governam não vêem.
Enquanto a maior parte da sociedade briga por um mísero salário, a outra ponta da mesma arrancam as pupilas dos trabalhadores ''miseráveis''.
Estamos presenciando escândalos financeiros internacionais sem falar nos nossos como o da Enron, uma das maiores empresas de energia que fraudou seus acionistas. Podemos considerar tal escândalo centenas de vezes mais levianas que o atentado às torres gêmeas. Agora estamos diante de outro escândalo, o da WorldCom, que controla a Embratel aqui no Brasil.
Estamos diante de fatos que colocam em xeque o capitalismo, pois o que estamos vendo é uma barbárie, porque ao capitalismo não importa quem será afetado. O que importa é seguir as estratégias pré-estabelecidas a priori e conquistar todos os nichos mercadológicos possíveis.
O neoliberalismo suplantou, definitivamente, a palavra mercado livre. O mercado monopolista está liquidando o mercado livre e afetando os planos traçados pelos pequenos e micros empresários. O capitalismo pôs fim às ideologias dos pequenos empresários. As especulações do sistema econômico, atual, estão levando ao cadafalso a política e a economia dos pequenos e médios empresários.
A Copa do Mundo faz parte, também, desse processo capitalista. Há de se perguntar: após a Copa do Mundo as condições de vida dos brasileiros irão melhorar? A copa está a serviço da mídia e dos políticos, esta é a grande realidade.
Chega-se a um triste diagnóstico: os governos são ineficientes e não possuem uma saída inteligente, plausível e honrosa para nossos problemas. A corrupção corre a solta. É o caos total do sistema neoliberal/capitalista.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá

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