O capitalismo e a sua realidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de julho de 2002
Gilberto Jordão 
Somos seres humanos, por isso mesmo somos seres desprezíveis que espira, chora, tosse, reivindica, fala mal do próximo, especula...
Veja só o que se passa na Terra de Cabral: a taxa de juros da nossa economia está fixada em 18,5% ao ano, mas o sistema bancário está cobrando perto de 45%. Os juros dos cheques especiais e similares atingem o índice astronômico de 120% a.a.
Um exemplo, significativo, disso tudo, é comparar os dois extremos. Quem aplicou R$ 100,00, na poupança, no início do Plano Real, está, hoje, com cerca de R$ 365,00 reais em sua caderneta de poupança. Analisando a outra ponta, em vez de se aplicar na poupança, no mesmo período, utilizasse o cheque especial com os mesmos R$ 100,00, o cidadão brasileiro estaria com uma dívida de R$ 149.712,00, ou seja, o brasileiro estaria devendo 748,56 salários mínimos. Dessa forma, quem ganha um salário mínimo teria que trabalhar 62,38 anos para pagar a referida dívida ''contraída''. Ao passo que a poupança, ao longo deste período, oito anos, seria o equivalente a 1,82 mês. A diferença é magistral, não é mesmo senhores?
É, justamente, por essa desigualdade que estão faltando postos de trabalho para os brasileiros. Havendo falta de emprego a sociedade se obriga à procurar novas alternativas, nem sempre adequadas. Por isso estamos vivendo um verdadeiro caos, com a ineficiência na segurança, na saúde, na educação etc.
Chegamos ao limite em que a sociedade bandida usa fuzis AR-15, bazucas, granadas, mísseis e as armas das mais alta sofisticação, enquanto a sociedade honesta, a polícia, usa estilete e espingarda de dois canos com cartuchos primitivos. Isso, infelizmente, vem ocorrendo há anos. Só àqueles que nos governam não vêem.
Enquanto a maior parte da sociedade briga por um mísero salário, a outra ponta da mesma arrancam as pupilas dos trabalhadores ''miseráveis''.
Estamos presenciando escândalos financeiros internacionais sem falar nos nossos como o da Enron, uma das maiores empresas de energia que fraudou seus acionistas. Podemos considerar tal escândalo centenas de vezes mais levianas que o atentado às torres gêmeas. Agora estamos diante de outro escândalo, o da WorldCom, que controla a Embratel aqui no Brasil.
Estamos diante de fatos que colocam em xeque o capitalismo, pois o que estamos vendo é uma barbárie, porque ao capitalismo não importa quem será afetado. O que importa é seguir as estratégias pré-estabelecidas a priori e conquistar todos os nichos mercadológicos possíveis.
O neoliberalismo suplantou, definitivamente, a palavra mercado livre. O mercado monopolista está liquidando o mercado livre e afetando os planos traçados pelos pequenos e micros empresários. O capitalismo pôs fim às ideologias dos pequenos empresários. As especulações do sistema econômico, atual, estão levando ao cadafalso a política e a economia dos pequenos e médios empresários.
A Copa do Mundo faz parte, também, desse processo capitalista. Há de se perguntar: após a Copa do Mundo as condições de vida dos brasileiros irão melhorar? A copa está a serviço da mídia e dos políticos, esta é a grande realidade.
Chega-se a um triste diagnóstico: os governos são ineficientes e não possuem uma saída inteligente, plausível e honrosa para nossos problemas. A corrupção corre a solta. É o caos total do sistema neoliberal/capitalista.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá


