Malu Nunes

Estamos vivendo um momento único: hoje, mais do que nunca, há indícios suficientes de que o planeta está chegando ao limite, e um exemplo disso são as crises hídricas enfrentadas nos últimos anos no Brasil e os efeitos das mudanças climáticas globais, como chuvas em excesso em alguns lugares e seca em outros.
Por volta de 2030, a população mundial deverá atingir quase 9 bilhões de pessoas, e não será surpresa se a disputa por água e energia se intensificar ainda mais e se os recursos naturais ficarem cada vez mais escassos.
Para garantir a nossa qualidade de vida, um dos grandes desafios mundiais da atualidade é frear a perda de biodiversidade e de habitats. Para tanto, precisamos investir recursos humanos e financeiros em conservação da natureza e numa economia de baixo carbono, por meio tanto do governo quanto da iniciativa privada.
Nesse contexto, um exemplo que merece ser conhecido e reconhecido pela sociedade brasileira é o da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que completou 25 anos em setembro deste ano, e que é a principal expressão do investimento social privado do Grupo Boticário.
Essa história de vanguarda começou em 1990, quando o empresário Miguel Krigsner, fundador de O Boticário, tomou uma decisão pioneira no País: a criação de uma fundação sem fins lucrativos, mantida com capital privado, para realizar e promover ações de conservação da natureza.
Com 25 anos de história, a Fundação Grupo Boticário acumula resultados significativos para a proteção do patrimônio natural brasileiro, sendo hoje uma das principais instituições ligadas à iniciativa privada a investir em conservação da natureza.
Desde a sua criação, a fundação já apoiou 1.439 iniciativas de terceiros, que descobriram 126 novas espécies de animais e plantas. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do País.
Outra iniciativa, o Oásis, é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais que incentiva a conservação de áreas naturais em regiões de manancial. Para comemorar seus 25 anos, a instituição lançou neste ano a Conexão Estação Natureza, exposição inédita sobre a natureza brasileira que já foi vista por mais de 2 milhões de pessoas.
A fundação também trabalha para que a população perceba o imenso valor do capital natural do nosso país, pois acreditamos que somente assim serão tomadas decisões mais eficientes. Enquanto sociedade, é preciso considerarmos que a degradação ambiental gera lucro para poucos e prejuízo para muitos; a exemplo da destruição dos mananciais que abastecem as principais metrópoles brasileiras. Já a conservação é um investimento que beneficia a todos a longo prazo; como a proteção de matas ciliares ao longo dos rios, que contribuem para a manutenção dos recursos hídricos e previnem deslizamentos e enchentes.
Valorizar o capital natural requer, ainda, um novo modelo, no qual a proteção ambiental seja incluída nas contas e nas ações de governos e empresas. A Fundação Grupo Boticário faz a sua parte, há 25 anos, inspirando o setor privado ao mostrar na prática que é possível e viável inserir a proteção da natureza na agenda empresarial e realizar ações efetivas que vão além do cumprimento da legislação ambiental.
O Brasil possui uma das maiores diversidades biológicas do planeta, contando com pelo menos 20% do número total de espécies existentes no mundo. Não podemos desperdiçar esse patrimônio; temos que protegê-lo e usá-lo a favor de nosso futuro.

MALU NUNES é engenheira florestal, mestre em Conservação e diretoraexecutiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em Curitiba



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