Nenhum jornal importante é esquecido pelos candidatos em campanha eleitoral. Tampouco é esquecido pelos eleitores, que nele buscam informação sobre os candidatos, suas idéias, programas de ação, comícios etc. Isto honra o jornal, assim como a crítica merecida, a sugestão, o ponto de vista divergente mas construtivo.
Em seus 48 anos de história, que se completam amanhã, a Folha de Londrina construiu um conceito que é seu maior patrimônio: a independência, isenção e qualidade da sua informação. É isto que a distingue no Paraná e por isso conquistou leitores até mesmo fora de sua sede. Hoje, mais da metade da tiragem diária do jornal circula fora do município de Londrina. E a tiragem total mais do que duplicou nos últimos quatro anos.
A credibilidade é a razão desse crescimento e não seria por uma campanha eleitoral - como tantas já havidas e todas as que hão de vir - que a empresa colocaria em risco os valores fundamentais do seu jornal. Ao contrário, reforça-os como agora o fez com a contratação de um instituto de pesquisas de renome nacional. O Datafolha pertence a um dos principais jornais brasileiros, hoje o maior do País em tiragem, e não tem nenhum interesse direto ou indireto com a cidade de Londrina e sua eleição. Decidimos contratá-lo para dar aos leitores maior segurança nas avaliações sobre o desempenho dos candidatos e as tendências do eleitorado.
Foi, aliás, o instituto de pesquisas preferido dos assinantes do jornal em consulta telefônica que fizemos previamente, relatada em artigo publicado no dia 2/11.
Ao mesmo tempo, mantivemos o contrato com a Alvorada Pesquisas, instituto local mas não por isso menos competente para fazer pesquisas de opinião. Que o diga, por exemplo, o candidato do PSDB e coligação à Prefeitura de Londrina em 1992. Naquela época, embora os números fossem diferentes, era clara a convergência das tendências quando se comparava Alvorada e Embrape, instituto contratado pela Folha.
Com a contratação do Datafolha este ano pensamos estar fazendo o melhor pelos leitores e pela cidade. Jamais pensamos em fazer o melhor para este ou para aquele candidato. Nosso norte é o leitor, e se os candidatos souberem interpretar os números e valer-se deles para orientar suas campanhas, melhor para eles também. Informação de qualidade é um bem público para proveito de todos.
A Folha de Londrina não tem candidato. Há jornais que têm e isso não os diminui, mesmo quando derrotados. O ‘Estado de S. Paulo’ teve - aliás, sempre teve, e nesta eleição perdeu -, o ‘Washington Post’ também. São jornais que acreditam estar prestando um serviço à sociedade indicando-lhe o candidato que julga ser o melhor. A Folha de Londrina e outros jornais sérios - como a ‘Folha de S. Paulo’ - pensam de modo diferente e têm todo direito de trilhar outro caminho. É mais difícil, muito mais difícil, optar pela independência em meio à disputa entre as opiniões. Mas é esse o caminho desta Folha.
Lamentamos que um candidato, ou sua campanha, se exceda. Assim como a Folha tem o direito de procurar a informação verdadeira sem temer que isto vá doer em terceiros, candidatos têm o direito de contrapor-se ao jornal. Aliás, há críticas ao jornal vindas das duas campanhas neste segundo turno, e também houve críticas das quatro campanhas durante todo o primeiro turno. Pensamos, internamente, que este é um bom indicador da nossa independência. O que não aceitamos, contudo, é a oposição pura e simples à notícia pelo fato banal de não ser do agrado deste ou daquele.
Esta é uma postura arbitrária e míope. A notícia jamais deixará de existir se o jornal não a publicar. O que deixaria de existir, assim, é o domínio da verdade. E sem esse domínio, estaríamos todos na escuridão.
O candidato da Folha é essa verdade que sempre buscamos e da qual não adianta fugir.

mockup