Enquanto o noticiário sobre decisões políticas ocupa espaço na mídia para, invariavelmente, entristecer e envergonhar os brasileiros, outro tipo de notícias, em medida inversamente proporcional, enche as pessoas de esperanças e orgulho. Reportagem da FOLHA RURAL, ontem, mostra o agronegócio paranaense projetando mais riqueza, distribuindo mais renda, abrindo mais postos de trabalho, recolhendo mais impostos e oxigenando o comércio do interior. Que, por conta disso, vai gerar emprego urbano, fomentar os ramos metalúrgico, imobiliário e, igualmente, gerar mais impostos. Forma-se um círculo de prosperidade rural e urbano. E a riqueza vai sendo distribuída.

Depoimentos do presidente da Fetaep, Ademir Mueller, confirmam a melhoria na oferta de trabalho. Da mesma forma que empresas do agronegócio, do setor cooperativista ou não, projetam ampliação de suas metas. É um setor fantástico. Ao lado da construção civil, agricultura, pecuária e agroindústrias, formam o segmento que oferece respostas mais rápidas diante de cenários macroeconômicos favoráveis e incentivos.

Em troca disso o que pretende o chamado agronegócio? Nada. Nem incentivo. às vezes. Pede, apenas, como outros setores e subsetores da economia, a justa desoneração e uma boa infraestrutura para poder competir. Ah, e segurança. Hoje o primeiro elo do agronegócio, o campo, vive sob ameaças. Além de ser reduzido a transferidor de lucros (para os bancos, para as multinacionais e cooperativas), o campo ainda enfrenta uma política adversa, calcada em caprichos ideológicos. No mercado, é grande a desproporção entre aumento dos preços dos insumos (adubos, defensivos, rações e outros fatores de produção como combustíveis e peças) quando esses preços são comparados aos recebidos pelos produtores de grãos e carnes.

Nem mesmo um bom seguro a agricultura tem. A perda da safra por escassez ou excesso de chuvas não é incompetência de quem produz. O clima é fator imponderado. Uma das pautas de reivindicações, levadas dias atrás ao governo, pelo presidente da Faep, Ágide Meneguette, aponta que o preço do feijão é desestimulante (R$ 57,00/saca) contra um custo de R$ 77,35/saca. Mas o consumidor paga o preço ditado pelos supermercado, um oligopólio. No ano seguinte, a produção cai e o consumidor paga um preço ainda mais alto.

Apesar de tudo, o campo é uma árvore que não reage, apenas dá bons frutos. Mas cuidado, árvores também murcham e morrem.

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