O campo, ameaçado, salvando o Brasil
Em meio ao ''inferno'' representado pelas invasões comandadas pelo MST de João Pedro Stédile, a atividade rural continua aumentando a geração de empregos, e esta semana a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) divulgou que o trabalho no campo, com carteira assinada, cresceu 36,7% no primeiro bimestre deste ano. Isto ocorre num momento em que os demais segmentos da cadeia produtiva estão atravessando dificuldades e, por consequência, não empregam. Como diz a Folha Rural especial que circulou na última quarta-feira, o campo salva o Brasil, embora seus agentes, os agricultores, não tenham apoio e vivam sob constante ameaça, com o risco de ver suas propriedades invadidas e destruídas.
O saldo atual de empregos é muito superior ao do ano passado e de períodos anteriores. A agricultura está servindo como amortecedor social quando os outros setores demitem comemora a CNA. Isto se deve ao crescimento da produção agropecuária, ao clima favorável e a investimentos em tecnologia, que aumentam a produtividade e geram mais renda. Mas não é apenas o benefício do emprego e sim, também, a vigorosa presença do campo no fortalecimento da balança comercial e no aumento do PIB. E não são só as culturas de escala das regiões Centro-oeste, Sudeste e Sul, mas também setores como a fruticultura da Bahia, a cana-de-açúcar no Rio Grande do Norte, onde, igualmente, o emprego cresce em função da produção da terra.
Paradoxal que isso ocorra quando as labaredas do ''inferno vermelho'' do MST se alastram e causam grandes estragos, porque Stédile não recuou um milímetro em seu avanço e propriedades foram tomadas de assalto em Pernambuco, campeão em invasões, com 20 áreas ocupadas; Ceará (2), Paraíba (2), Alagoas (1), Piauí (1), Bahia (5), Goiás (1), Minas (2), Espírito Santo (1), Mato Grosso (2), Mato Grosso do Sul (2), São Paulo (3), Rio de Janeiro (1) e Paraná (2). Os números falam de 10.500 famílias marchando atrás das lideranças, nessas invasões, todas fora da lei, e nem seria necessário dizer. Sob esse aspecto, vive-se no Brasil um estado de anarquia, com o desmoronamento do estado de justiça. A situação é de total descontrole, mesmo depois que o presidente da República tenha bradado que reforma agrária não se faz ''na marra'' e nem ''no grito''. Stédile não deu a mínima importância a esse aviso.
O paradoxo não encontra similares na história, porque os invasores avançam não apenas sobre áreas improdutivas mas também sobre propriedades em franca produção, o que demonstra que não há um fim de alcance social e supostamente patriótico na política das invasões. O que ocorre é o movimento pelo movimento, numa declarada guerra aberta contra o mais destacado e fecundo segmento da produção nacional, justamente o que está salvando o Brasil nestes tempos de dificuldade. Ação terrorista porque operando na contramão da lei, sem hora, lugar e circunstância para atacar. Este o nome que se deve dar aos atos do MST.





