Quem compareceu, anteontem, à reunião de ‘‘lideranças comunitárias’’, em Londrina, para discutir a situação da greve dos servidores das universidades estaduais e do Hospital Universitário, viu apenas presidentes de sindicatos e representantes de associações de movimentos populares e o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Paraná. A representatividade, então, limitou-se às categorias a que pertencem e não à comunidade em geral, que esta quer o fim da greve.
O prefeito Nedson Micheleti, também presente, sentiu-se em zona de conforto, rodeado de velhos companheiros de partido e de ideologia, e não pôde mudar o tom de seu discurso, se é que desejasse fazê-lo, eventualmente conclamando os comandos grevistas a permitirem o retorno ao trabalho enquanto as negociações prosseguem.
Foi, portanto, uma reunião de um agrupamento descomprometido com a situação dos 38 mil universitários sem aulas e dos doentes que perderam qualidade de atendimento, no HU, e descomprometido também com as consequências negativas desta greve para a imagem das universidades, com o que representa para os estudantes perderem o ano escolar, afora a suspensão do vestibular de janeiro e prejuízos materiais e financeiros sem conta.
Tem-se repetido que os professores e servidores ganham mal, que o governo estadual vem, de longa data, negligenciando com as universidades estaduais, mas há um indicativo de solução, partido da área governamental, então o bom senso aponta para a volta às atividades, para ao menos salvar, nestes próximos dois meses, a recuperação das aulas perdidas.
Uma frase que se ouviu ontem, do presidente da CUT-Pr., define bem o espírito deste movimento: é um campeonato, quem sabe já imaginado para figurar no Guiness Book para assinalar o maior tempo de duração de uma greve. Ele disse, com ufanismo, que ‘‘...estamos vencendo o campeonato de resistência dos trabalhadores...’’. Referiu-se ao sucateamento do ensino público, o que é uma verdade se tomarmos como referencial o baixo ganho dos professores e demais servidores, mas os comandos da greve preocupam-se muito pouco com o que as escolas estão passando aos alunos. Isto não figura em seu ideário. O que prevalece é o fundamentalismo dos seus movimentos, como o de agora.
O encontro de Londrina, promovido pelo Sindicato dos Bancários, carece da plena legitimidade comunitária, porque não contou com a presença das demais lideranças, que também representam a sociedade. Não estranha, portanto, que dessa reunião resultaria uma manifestação de apoio à greve, mas não é esta a posição das vozes das ruas e dos milhares de universitários, que neste campeonato proclamam exatamente o contrário: o fim da paralisação, que já está entrando no quarto mês.

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