Desde o início do Plano Real, a carga tributária saltou de 22% para 31% do PIB. Anualmente, empresas e trabalhadores transferem para os cofres públicos cerca de 250 bilhões de dólares em impostos e taxas. Isso sem falar nos pesados encargos sociais. Todos esses componentes do Custo Brasil, dentre outros fatores, têm contribuído para engrossar as estatísticas do desemprego. O problema realmente é grave, a ponto de se constituir em um dos temas do debate eleitoral que começa a ganhar forma e conteúdo no contexto da opinião pública.
A demissão de trabalhadores tem sido tão volumosa que gerou outra tendência significativa na economia nacional: a abertura de pequenas e microempresas, em cuja constituição os ‘‘sem-emprego’’ investem o dinheiro das indenizações trabalhistas que recebem ao serem dispensados. Para muitos, porém, o sonho de ser empresário e dono do próprio destino acaba se transformando num grande pesadelo, quando começam a surgir problemas com os quais sequer cogitavam defrontar-se durante o tempo em que trabalhavam como empregados.
Ironia ou não, um dos principais problemas com que se defrontam os novos empresários é justamente a carga tributária, que, em muitos casos, motivou a sua demissão e a empreitada de abrir o próprio negócio. São cerca de 60 impostos e taxas, que, literalmente, atormentam o empresário brasileiro, impondo-lhe um verdadeiro dilema; praticar preços capazes de remunerar o seu negócio e, ao mesmo tempo, viabilizar o cumprimento de todas as obrigações com o fisco? Não contratar funcionários e tentar fazer tudo sozinho? Sonegar impostos e correr constante risco de sanções? Chegar à frustrante constatação de que sua empresa é inviável...? A vida média de uma microempresa no País é de apenas dois anos, conforme demonstram as estatísticas das juntas comerciais.
Todas essas questões não devem desestimular o espírito empreendedor dos que, conscientemente, optaram por deixar o mercado de trabalho convencional, partindo para o negócio próprio. Devem, contudo, servir de alerta sobre os cuidados a serem adotados e os caminhos a serem percorridos para se abrir uma empresa com segurança, profissionalismo e chances matematicamente calculadas de sucesso.
O franchising é uma das mais seguras alternativas, pois o candidato a empresário conta com toda uma estrutura previamente montada, tecnologia devidamente testada, conhecimento do negócio e do mercado e todo o know how do franqueador. O mercado de franquias já se encontra bastante desenvolvido no país, oferecendo opções para todas as vocações e cacifes.
Embora se constitua num caminho mais seguro para os que postulam ter um negócio próprio, minimizando substancialmente o risco representado pela abertura de uma empresa, a simples opção por uma franquia não é uma alternativa com 100 por cento de retorno e sucesso garantidos. É preciso planejar, entender o que é ser empresário, fazer contas, analisar com realismo o mercado, as possibilidades de faturamento e os custos, incluindo os pertinentes ao inferno tributário brasileiro.
Tomada a decisão, é importante incluir no orçamento dos recursos a serem investidos o custo de uma consultoria especializada. O preço desse serviço apresenta excelente relação custo-benefício, pois evita que se cometam erros naturais para quem está se transformando em empresário, mas que podem ser letais, matando precocemente o empreendimento.
É preciso considerar que a utilização da poupança e da indenização trabalhista para a abertura de uma empresa não pode ser baseada no empirismo. Trata-se de uma decisão que não admite erros, pois quando o dinheiro acabar, sem que os resultados comecem a surgir, o novo ex-empresário não tem outra alternativa senão iniciar um penoso caminho de volta ao mercado de trabalho.
- ROBERTO CINTRA LEITE é sócio-diretor da Cintra Leite Consultores Associados/Horwath Franchise Services.

mockup