O caminho da moralização
Terceiro maior terminal de contêineres do Brasil, o Porto de Paranaguá enfrenta problemas recorrentes, a maioria amplamente divulgada pela imprensa. A falta de estrutura - como a necessidade da dragagem, de realização de obras de ampliação e reestruturação do corredor de exportação de grãos - para atender a demanda exportadora até então era a mais conhecida dos paranaenses. Há muito o porto pede socorro.
No entanto, a Operação Dallas desencadeada pela Polícia Federal nesta semana parece ter aberto uma caixa de Pandora na administração. O foco deixou de ser os problemas físicos da estrutura e da falta de investimentos, mas irregularidades na gestão. Desvios de cargas de grãos para exportação por meio de adulteração da balança ou desvio físico do produto da esteira e fraudes em licitações eram procedimentos recorrentes.
E nesse caso não houve apenas má-fé na administração pública. Esses atos ilícitos causaram repercussão negativa nas relações internacionais do Brasil e ajudaram a fundamentar a imagem de um país desonesto. Isso porque era entregue uma carga menor do que a negociada pelo importador. Desvios padrões são aceitos, mas a diferença constatada era muito superior ao convencionado internacionalmente.
Outros prejudicados - e agora estamos falando de um dos elos mais frágeis da cadeia produtiva - foram os produtores rurais. Com descrédito no embarque por Paranaguá, a soja estava sendo negociada por valores abaixo dos praticados no mercado. Agricultores já têm que arcar com altos custos de produção, perdas provocadas por intempéries e variações de preços. Não podem ser prejudicados também por má-fé administrativa.
A falta de cuidado com a coisa pública, administração em proveito próprio e conchavos, infelizmente, ainda são atitudes comuns em alguns meios políticos. É preciso um basta. A sociedade exige seriedade na gestão pública e punições à altura para todos os envolvidos. Não se pode aceitar a continuidade e a perpetuação desses atos.





