A morosidade do processo de adoção no Brasil é um tema que vem sempre à tona, principalmente neste sábado (25), Dia Nacional da Adoção. A data chama para debates e reflexões, apesar de que a Lei da Adoção, aprovada pelo Congresso no final de 2017, conseguiu agilizar um pouco a operação. O texto aprovado pelos congressistas colocou na preferência da fila de adoção as pessoas interessadas em adotar irmãos, por exemplo. E também estabeleceu aos pais adotivos os mesmos direitos trabalhistas de pais sanguíneos, como a licença maternidade.

Nesta edição (25/26), a FOLHA mostra a expectativa de adultos inscritos no Cadastro Nacional de Adoção e ouve a história de um adolescente que ganhou uma família após anos morando em uma instituição.

Um dos exemplos contados pela reportagem vem do casal Vanessa Dantas e Marcos Antônio da Silva, que está há dois anos no cadastro nacional esperando a chegada do tão sonhado filho ou filha. É um processo que envolve dedicação. Os dois já enfrentaram um período de preparação, passando por entrevistas, frequentando grupos de apoio e até fazendo cursos oferecidos pelo Ministério Público do Paraná e pelo Tribunal de Justiça do Estado.

Vanessa e Marcos Antônio fazem parte de uma longa fila de espera. No Brasil, há uma criança ou adolescente para cada nove pretendentes habilitados à adoção. Enquanto 5.031 crianças e adolescentes aguardam para serem adotados, 45.992 pessoas permanecem com o nome no cadastro nacional, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça. No Paraná, há 3.639 pretendentes habilitados e 493 crianças e adolescentes disponíveis atendidos pelos serviços de acolhimento.

Em Londrina, para cada criança ou adolescente apto à adoção, há sete pretendentes habilitados. Ao todo são 207 pessoas na fila e 29 crianças e adolescentes disponíveis. Grande parte dos pretendentes prefere apenas bebês ou crianças até 4 anos. É uma prova de que as preferências reduzem as possibilidades.

A lei que entrou em vigor em 2017 significou um avanço em alguns aspectos que envolvem a agilização do processo, mas há ainda muito o que desmistificar e questões a serem derrubadas, como o preconceito racial, religioso e por idade. Tudo pode mudar quando as pessoas se conscientizam de que a adoção não é destinada aos pretendentes a pais, mas é voltada para crianças e adolescentes. É justamente por isso que se busca o melhor para elas.

Antigamente, não se falava tão abertamente em adoção. Muita gente escondia que estava inscrito para adotar uma criança. Nesse sentido, é positivo que o País tenha instituído uma data para debater amplamente o tema, buscando espalhar a percepção de que o amor de uma família adotiva se constrói da mesma forma que uma família formada por laços sanguíneos. Lembrando que é o amor e o respeito que devem definir a relação entre pais e filhos.

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