O café se renova pelas mãos das mulheres
A cafeicultura paranaense encontra novos caminhos na produção de qualidade, com mulheres que transformam conhecimento e dedicação em renda
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de outubro de 2026
A cafeicultura paranaense encontra novos caminhos na produção de qualidade, com mulheres que transformam conhecimento e dedicação em renda
Folha de Londrina 
O café ocupa um lugar especial na história do Norte do Paraná. Durante décadas, foi o principal motor do desenvolvimento regional, impulsionando a economia, atraindo migrantes e contribuindo para a formação de cidades. A geada de 1975 marcou o início de uma longa retração da atividade, que perdeu espaço para outras culturas agrícolas. Hoje, a cafeicultura paranaense busca um novo capítulo, e as mulheres têm participação importante nessa renovação.
A aposta na qualidade dos grãos, em vez da produção voltada exclusivamente ao volume, abriu novas oportunidades para os cafeicultores. Os cafés especiais permitem agregar valor ao produto, alcançar mercados diferenciados e melhorar a rentabilidade das propriedades. Nesse movimento, produtoras rurais têm demonstrado capacidade de gestão, disposição para aprender e iniciativa para conquistar consumidores.
Os resultados do Concurso Café Qualidade Paraná de 2025 ajudam a dimensionar essa presença. As mulheres representaram quase 45% dos participantes e conquistaram nove dos 15 prêmios. Mais do que números expressivos, os resultados reconhecem o trabalho de agricultoras que investem em conhecimento e aprimoram cada etapa da produção, do cultivo à seleção dos grãos e à comercialização.
As histórias de Sirlene Soares Santos Souza, de Pinhalão, e Flávia Guimarães da Silva Rosa, de Apucarana, ilustram essa transformação. Ambas encontraram no café especial uma oportunidade de agregar valor à produção familiar, ampliar o relacionamento com os consumidores e melhorar a renda. São trajetórias que mostram como a tradição pode se renovar quando a experiência acumulada no campo se une à capacitação e à busca por novos mercados.
A presença feminina também merece reconhecimento por seu papel na continuidade da agricultura familiar. Em muitas propriedades, as mulheres participam de todas as etapas do trabalho, embora nem sempre tenham sua atuação reconhecida na mesma proporção. Ao assumirem a gestão dos negócios e conquistarem espaço em premiações e canais de comercialização, elas ampliam sua autonomia e contribuem para fortalecer a atividade.
A cafeicultura paranaense ainda tem espaço para crescer. O plano estadual de desenvolvimento do setor, em fase final de elaboração, prevê ampliar a área plantada de 25 mil para 85 mil hectares até 2038. A proposta reúne metas de aumento da produtividade, modernização das lavouras, assistência técnica e valorização dos cafés especiais. Sua implementação poderá criar condições para que mais famílias encontrem na atividade uma fonte sustentável de renda.
O café que ajudou a construir o Norte do Paraná não precisa voltar a ocupar a mesma dimensão de décadas atrás para continuar relevante. A valorização da qualidade, das características regionais e do trabalho de quem produz aponta um caminho promissor. Nesse processo, as mulheres mostram que preservar uma tradição também significa transformá-la, com conhecimento, iniciativa e novas perspectivas para o campo paranaense.
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