O comerciante Dirley Bortolanza, 45, de Mandaguari (30 quilômetros de Maringá), tem um passatempo diferente. Para aliviar o estresse, sai pelas cavernas e matas da região à procura de cobras. Ele as captura com uma forquilha de ferro, põe numa caixa e envia à saúde pública de Maringá ou ao Centro de Produção e Pesquisa Imunológica em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Cascavéis, corais (verdadeiras), jararacas e urutus são as que já capturou nas margens do ribeirão Keller, que corta o município - e na Caverna da Cambota, na estrada Promessa.
O estranho hobby nasceu quando Bortolanza era menino. Entre uma brincadeira e outra pelas ruas da cidade, ele capturava pequenas cobras, mas logo as soltava. Com o passar dos anos, a brincadeira ficou séria, e o comerciante virou caçador de serpentes, como é conhecido em Mandaguari. De 1998 para cá, foram dezenas delas enviadas à saúde pública de Maringá e Piraquara.
Em maior número na região, as cascavéis são as mais capturadas por Bortolanza. Para ele, que nunca foi picado, coragem não basta para dominar uma serpente. É preciso técnica para não se ferir nem estressar o animal. ''Depois de certo tempo na lida, como eu, você perde o medo, mas não pode dar bobeira'', afirma, enfatizando que, dependendo do lugar em que se está, uma picada de cobra peçonhenta pode levar à morte. ''Até você procurar socorro já foi''.

Cobras no jantar - Mas ele se diz familiarizado com as serpentes. Tanto que sua história já fez sucesso no Orkut. Bortolanza conta que há alguns dias jantou, acompanhado da família, com várias cascavéis espalhadas pela mesa. ''Foi um jantar à luz de cobras'', brinca. ''Apagamos a luz e nos guiamos pelo barulho do guizo das serpentes, que avisam quando alguém se aproxima''.
Tamanha afinidade com as cobras já lhe rendeu algumas vantagens. Por exemplo, ladrões não furtaram seu carro porque, ao abri-lo, depararam com vários caixotes. Ao abri-los, as serpentes escaparam. Provavelmente, assustados, os ladrões desistiram do furto. ''Encontrei o carro aberto e os bichos debaixo dos bancos'', lembra. ''Tive trabalho para capturar todas outra vez, mas não fiquei no prejuízo''.
Além de enviá-las para retirar soro antiofídico, Bortolanza é convidado a levá-las às escolas da cidade para mostrar aos alunos. Professores de biologia aproveitam para explicar detalhes sobre os animais. ''A gente brinca, mas fico feliz porque sei que tudo isso, no fundo, tem um objetivo, que é o de ajudar as pessoas'', acrescenta o comerciante.

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