O brasileiro que inventou o rádio
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terça-feira, 20 de agosto de 2002
Mário Eugênio Saturno 
Sempre nos foi ensinado que o inventor do aparelho transmissor de rádio foi o italiano Guglielmo Marconi. Mas, o que pouca gente sabe é que o homem que conseguiu a primeira transmissão da voz humana, sem fio, ou seja pela irradiação de uma onda eletromagnética modulada com um sinal de áudio, foi o padre Roberto Landell de Moura, em 3 de junho de 1900, sendo que a distância entre o aparelho emissor e o detector foi de aproximadamente 8 quilômetros.
Os pontos em que ocorreu a transmissão e a detecção do sinal, estavam localizados entre o bairro de Santana e os altos da Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, Brasil. Nesta época o que se tinha em termos de comunicação por meios elétricos era o telégrafo por fios, invenção de Samuel Morse (1837), o telefone com fio, de Graham Bell (1876) e a radiotelegrafia de Guglielmo Marconi (1895).
O grande desafio era justamente transmitir um sinal de áudio sem utilizar fios, feito conseguido pelo padre e cientista brasileiro. Pesquisava-se, mas ninguém ainda conseguira obter êxito. O mérito do padre Landell é ainda maior porque desenvolveu tudo sozinho.
O padre Landell era um gênio teórico e também um prático para construção de seus aparelhos. Ele era o cientista, o engenheiro e o operário ao mesmo tempo. Um ano depois de sua experiência inédita no mundo, aqui mesmo em São Paulo, padre Landell obteve uma patente brasileira para um ''aparelho destinado à transmissão phonética à distância, com fio ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso''. Era o dia 9 de março de 1901.
Consciente de que suas invenções tinham real valor, padre Landell partiu com destino aos Estados Unidos, quatro meses depois, com o intuito de patentear os seus aparelhos. Com parcos recursos o padre teve que contar com a ajuda de amigos para levar adiante seu projeto. Apesar de todas as dificuldades que encontrou, Landell conseguiu três cartas patentes: ''Transmissor de Ondas'', precursor do rádio - em 11 de outubro de 1904; ''Telefone sem fio'' e ''Telégrafo sem fio'' em 22 de novembro de 1904. Ainda naquele ano, ele esboçou outro engenho ligado à vida moderna. Em 20 de agosto de 1904, um dos documentos que ele batizou de ''The telephotorama ou visão à distância''. Tratava-se da televisão, que só em 1926, teria sua primeira demonstração pública.
Com o respaldo das patentes norte-americanas, padre Landell, de volta ao Brasil, escreveu ao presidente da República, Rodrigues Alves, a quem solicitou dois navios para demonstrar suas invenções. Um assessor do governo o procurou e o padre informou que desejava entre os navios a maior distância possível, e isto naquele momento, porque no futuro, quando aperfeiçoasse os seus aparelhos, serviriam até para comunicações interplanetárias.
Mais uma vez o padre Landell foi julgado louco. E o Brasil perdeu mais um gênio, mostrando que nossa classe política é estúpida há muito tempo... Alguns documentos que foram deixados por ele, foram analisados por técnicos da Telebras, que chegaram à conclusão de que alguns de seus esquemáticos configuram uma tentativa de construir um registrador telegráfico. Isto indica, que na pior das hipóteses, padre Landell pelo menos idealizou o controle remoto pelo rádio ou teletipo, invenções que na história oficial ficaram conhecidas, respectivamente, durante a primeira guerra mundial e em 1928.
Fica o consolo de termos em Catanduva familiares daquele padre que além de servir a Deus tentou servir o Brasil.
MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor da Fafica e Coordenador Diocesano das Congregações Marianas


