O Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma posição muito clara contra a liberdade de imprensa em pelo menos um caso latente. Por 6 votos a 3 manteve a censura sobre o jornal ''O Estado de São Paulo'' para que não divulgue o envolvimento do filho do senador José Sarney - o empresário Fernando Sarney - na Operação Boi Barrica, amplamente divulgada, e que envolve também a nora de Sarney.
Para manter a censura e, consequentemente, proteger familiares do senador, o STF seguiu decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Dos seis ministros que votaram pela censura, cinco disseram que a decisão foi técnica. Um confessou que foi decisão pessoal.
Impedir a divulgação de denúncias que já estão nas mãos da Polícia Federal é exagero; é colocar o interesse político sobre todos os princípios.
Seria tolerável até - porém não defensável - que a aplicação da censura se justificasse, excepcionalmente, para proteger algo do interesse do Estado. Ou para impedir uma divulgação que comprometesse a consecução de um projeto socialmente importante - porém portador de suspeitas administrativas. Neste caso seria algo do tipo ''o fim justifica os meios''. Absurdo, porém menos grave que a decisão de quarta-feira.
Além de cercear a liberdade de um jornal que prima pela verdade, a decisão do STF corre o risco de inibir até mesmo o trabalho, sério, da Polícia Federal.
A Agência Estado divulgou no mesmo dia a justificativa dos votos dos nove ministros. O ministro Celso de Mello, que votou pela retirada da censura, fez a afirmação que não deixa dúvida quanto a configuração de que a posição do STF depõe contra a liberdade de imprensa:
Disse: ''A decisão que impede a publicação de matéria jornalísticas configura censura prévia, o que viola a Constituição e o que já decidido pelo Supremo no julgamento da Lei de Imprensa e de outros casos''.
A Operação Boi Barrica apura as acusações: lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e operar instituição financeira sem autorização. É pouco?

mockup