Os tempos de verão são de chuva e ventos fortes, e é isto que a meteorologia anuncia para esta semana no Paraná. A informação adverte para a ocorrência de inundações, queda de árvores, destelhamento de casas e deslocamentos de terra. As zonas pobres são as mais propensas pela fragilidade das construções e pelas edificações em encostas ou baixadas. Ontem este Jornal publicou declaração do coordenador da Secretaria Nacional de Defesa Civil, Sérgio Bezerra, de que o Brasil não está preparado para lidar com catástrofes. Nem está preparado e nem os governos tomam precauções contra elas.
Primeiro são os males da pobreza, e cada qual se instala onde e como pode, mas principalmente porque o poder público não tem projetos consistentes para evitar esses problemas. Tragédias como as de Santa Catarina e Minas Gerais, que aconteceram recentemente, e as constantes inundações na cidade de São Paulo repetem-se há décadas e quase nada se faz para contê-las.
A Secretaria mencionada é um órgão do Ministério da Integração Nacional e, ao invés de criticar o próprio sistema governamental, melhor seria elaborar programas de solução. Destruição e mortes se sucedem e o gasto com reconstruções e medidas de socorro às vítimas resulta tão alto quanto o que seria investido em infraestrutura que evitasse essas calamidades. A população é que acaba prestando o maior auxílio aos flagelados - e a solidariedade é um fato marcante - enquanto os governantes sobrevoam áreas atingidas para o povo acreditar que eles estão atentos. E se eles são obrigados a reconstruir instalações públicas não tomam medidas técnicas duradouras para evitar que o problema se repita. Desde setembro 160 pessoas morreram no Brasil em consequência dessas tragédias, enlutando famílias e deixando um rastro de destruição. Se muitos, inadvertidamente ou mesmo conscientes, vão levantando edificações em locais de risco, as autoridades - municipais, estaduais e federais - precisam fazer-se presentes e não permitir isso e proteger com obras de contenção os pontos de perigo para ao menos diminuir a proporção desses tristes acontecimentos.
Dos 5.563 municípios brasileiros, 1.360 não contam com Defesa Civil, mas tal instituição - se é necessária - só tem combatido as consequências. Ações preventivas não são levadas a sério e não é dinheiro que falta e sim decisão. Mais que isso, falta respeito à vida e às populações sujeitas a esses acidentes. Se muitos são imprudentes ao implantar edificações em lugares inadequados, isto ocorre porque, no mais dos casos, eles não têm outra opção. Nessa hora o poder público precisa prestar seu atendimento e oferecer-lhes as opções.

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