O Brasil, o Paraná e as 3 Américas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de maio de 1997
Fernando Miranda 
O Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA) vai ter profunda repercussão na vida dos trinta e cinco países das três Américas. Inclusive em Cuba, que, embora não participando, terá a sua vida afetada pelas mutações do acordo, em um cenário ainda imprevisível, mas cujos primeiros contornos começaram a surgir na recente reunião de Belo Horizonte.
O Brasil e o Paraná, com a realidade do Mercosul, têm que se preparar para as mudanças. Administrar é prever. E a melhor maneira de prever o futuro é ajudar a construí-lo, dizem os europeus, com a experiência da sua integração.
E no Brasil e no Paraná, qual o cenário que temos, perverso e otimista, com relação às ondas de globalização, e que estratégia vamos pouco a pouco delineando? A primeira linha da agenda deve ser sem dúvida o fortalecimento do Mercosul para, inclusive, nos dar maior força de negociação. Para comercializar com a maior economia do mundo que é a dos Estados Unidos, com US$ 6,8 trilhões de Produto Interno Bruto por ano, temos que caminhar em bloco com o Mercosul.
Tudo parece que está acontecendo, inclusive com a adesão de alguns países do Pacto Andino, que estão migrando para um Merconorte virtual. Ou seja, o Brasil do Norte e Nordeste se integrando com os países vizinhos e viabilizando, através de Madre de Dios, também uma saída do Acre para o Pacífico via Peru. Nessa estratégia, o Nordeste se amplia com o mundo utilizando com intensidade um commoditie custo zero: o sol. O Brasil desponta como um dos grandes pólos do turismo mundial: com as praias do Nordeste, a Amazônia e Foz do Iguaçu.
O fortalecimento do Mercosul para as negociações da ALCA passa, sem dúvida, pela arrumação interna dos respectivos países. Custo Brasil, reforma fiscal e tributária, portos, financiamentos abundantes, juros baixos e desemprego crescente, gerador de tensões sociais, despontam em obstáculos prioritários que precisam ser administrados com competência.
Por outro lado, existe a necessidade do fortalecimento do Mercosul com os outros blocos: Ásia/Pacífico e principalmente o nosso melhor parceiro, a União Européia.
O Brasil tem um link para essa estratégia que é a proposta da União Européia de iniciar na virada do século a Rodada do Milênio, envolvendo 128 países da Organização Mundial do Comércio (OMC). A simpatia e o bom senso brasileiro apontam para uma negociação mundial abrangente e não regional. Há, portanto, que utilizar salvaguardas e caminhar de forma gradualista e com o apoio dos países andinos a fim de resistir às turbulências do Acordo de Livre Comércio das Américas.


