Há duas semanas o governo Michel Temer vem lutando obstinadamente para empossar a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) no Ministério do Trabalho. Ela foi escolhida após costura política feita entre Temer e o ex-deputado Roberto Jefferson, que é presidente nacional do PTB e pai de Cristiane. Uma série de reportagens feitas desde a indicação dela para a pasta mostra que a deputada foi condenada a pagar R$ 60 mil a um de seus motoristas. Ela ainda fez acordo com um profissional, pagando R$ 14 mil, para evitar outra sentença. Também uma empresa contratada por Cristiane não registrava os funcionários em carteira – uma falta grave para quem vai comandar um ministério tão importante. Desde então, o governo vem travando uma longa batalha judicial para garantir a sua posse no ministério. Argumenta-se que tais fatos não são motivos para impedi-la de assumir o cargo. Legalmente, podem até não ser – como mostram as decisões liminares na Justiça -, mas ética e moralmente é indefensável. O último revés ocorreu quando a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, suspendeu a posse marcada para essa segunda-feira (22). Em despacho na madrugada de ontem, durante o plantão judiciário, Lúcia acolheu parcialmente reclamação apresentada pelo Mati (Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes). O grupo de advogados, que já havia ingressado com uma ação popular no Rio, chamou de "grande imoralidade" a nomeação.
Em que pese a nova derrota, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o governo não vai desistir de nomear Cristiane Brasil como ministra do Trabalho. Em uma gestão com baixíssimo apoio popular, não causa estranheza tanto empenho em evitar constrangimentos com partidos da base aliada, como o PTB de Roberto Jefferson. Sabe-se que Temer projeta em seu último ano de mandato aprovar importantes propostas, como a Reforma da Previdência, para a qual ainda não dispõe de maioria. E perder apoio nesse momento seria fatal para suas pretensões. Para a população em geral, fica o questionamento: por que nossos políticos não mostram o mesmo empenho para resolver problemas na saúde ou na educação? Com certeza, a falta de medicamentos e as filas em hospitais se reduziriam drasticamente ou haveria ainda mais escolas e vagas em creches.

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