O Brasil na nave do 3º milênio - Gilclér Regina
O Brasil na nave do 3º milênio
Gilclér Regina
Quando eu falava em minhas palestras, há cinco anos, que ainda iríamos ver empresas concorrentes produzindo na mesma linha de produção, eliminando ociosidades, obsolecências e otimizando tecnologias, muitos, acredito eu, deviam estar me chamando de louco, visionário, ou mesmo sonhador.
O que estamos vendo hoje, entre Brahma e Antarctica é apenas o primeiro passo do que ainda está por vir. E esta é uma decisão acertada, porque, o que está em jogo é o mercado globalizado, mundial. Com a fusão a AmBev transforma-se na 3ª maior cervejaria do mundo e na 5ª maior empresa de bebidas do mundo. Somente no ano de 98 as duas juntas faturaram 10,3 bilhões de reais, o que já as coloca no topo, ou seja, o faturamento número um do Brasil, acima mesmo da Petrobrás.
Nós ainda veremos uma mesma linha de montagem produzir mais de 5 ou 10 marcas diferentes de carros. O mundo mudou e aqueles que não acreditam na mudança, são os mesmos de sempre, que reclamam da vida, reclamam de tudo, não acreditam em nada e quando tudo acontece, ainda procuram uma desculpa. O disparo foi dado. Hoje, vivemos uma sociedade de mudanças. O passo da mudança é este: o mundo vai mudar mais nos próximos 5 anos do que mudou nos últimos 30.
Quando Grahamm Bell inventou o telefone, foram necessários 56 anos após a sua invenção, para o produto telefone ser um produto de mercado, onde alguém estaria vendendo para alguém. Hoje, quando um cantor diz que vai lançar um CD, a gravadora já anuncia que vendeu 1 milhão de cópias, antes mesmo do produto ser lançado.
Vivemos realmente num mundo de grandes mudanças e transformações. As previsões do ano de 1997 apontavam um comércio na Internet de US$ 250 milhões. Na realidade, o ano de 97 fechou com US$ 9 bilhões. O ano de 98 fechou com US$ 21 bilhões. Quais são as previsões para o ano de 2001? A IBM está projetando um e-commerce de US$ 250 bilhões e o MIT projeta US$ 650 bilhões. A Forrester Research faz uma previsão para 2003 entre otimista e pessimista. A sua previsão otimista aponta um comércio eletrônico de US$ 3,2 trilhões, algo como 10% do comércio mundial.
A sua previsão pessimista diz que o e-commerce será neste ano de US$ 1,7 trilhão, equivalente a 5% do comércio mundial. Em abril de 1999, 6,3% da população estão plugados na Internet. No ano de 2001 os dados apontam para 19,34% da população e em 2003 para 75,98% da população. Faço a seguinte pergunta: O que você e sua empresa estão preparando para este início de milênio?
Você está preparado para a velocidade destas mudanças? Você já vende pela Internet? Você compra? Você tem Internet? Qual o uso que você faz dela? Ou você tem, mas ainda é cético em relação a esta mudanças? Ou quem sabe você ainda não acredita que a mídia 24 horas sem interrupção, no novo milênio chama-se Internet?
Discuta este tema com sua equipe e prepare-se porque o novo milênio já chegou e não é preciso esperar a virada do calendário para agir? O Brasil estará entre as três maiores plataformas exportadoras do mundo nos primeiros quinze anos de século 21, caso faça todas as reformas necessárias e continuará sendo uma das grandes opções para o capitalismo internacional.
O PIB brasileiro hoje, equivale ao da Suécia somado com o da Espanha, ou Dinamarca, mais Bélgica e mais Holanda. Que mercado é esse? Hoje o Brasil consome por ano 1,3 milhão de lavadoras, com 82% mais que o Canadá, ou seja é o 4º maior mercado do mundo neste item.
O País consome 95,1 milhões de litros de shampoo. No ítem refrigerantes, o País consome 8,02 trilhões de litros, o que o coloca como 3º maior mercado do mundo. Consome 1,9 bilhão de fraldas descartáveis, ou seja, 62% mais que a Itália. 63,4 mil toneladas de creme dental, 456% mais que na Itália e 51,4 mil títulos de livros, 12% mais que a Itália.
O País consome 681,9 mil toneladas de biscoito, 27% mais que o Japão e o coloca como 2º maior mercado do mundo. O país compra 3 milhões de geladeiras, ou seja, um mercado 66% maior que o Reino Unido e 4º maior mercado do mundo em geladeiras.
O País consome ainda 126 milhões de escovas de dente, 223% mais que o México. O brasileiro compra 1,6 bilhão de potes de 250 gramas de margarina, 1,9 bilhão de pacotes de macarrão de 500 gramas e 118,5 milhões de calças jeans. O brasileiro gasta por ano US$ 3,8 bilhões em cosméticos e já tem 3 milhões de usuários da Internet. O Brasil é o 2º maior mercado do mundo de jatinhos executivos, helicópteros, microondas, telefones celulares, fax, equipamentos de mergulho e alpinismo,... o país tem hoje 28 milhões de famílias de classe média e emergente, segundo o IBGE, ou seja, um mercado 8% maior que a população da Alemanha, ou um mercado maior que a República Checa, Bélgica, Hungria, Portugal, Suécia, Áustria, Suíça., Finlândia, Dinamarca, Noruega, Irlanda, Nova Zelândia, Luxemburgo e Islândia juntos.
O Brasil tem disponível hoje, 451 modelos de carro zero. Quem não se lembra da capa da Revista Exame, em 1990, quando o Presidente Collor dizia que o carro brasileiro era uma carroça?
Apenas 9 anos e tudo isso mudou. O país tem hoje 87 tipos de molho de tomate, 120 tipos de cerveja, 180 modelos de tênis esportivos, ou seja, do mais simples ao mais complexo. O Brasil está presente e na ponta. O País hoje representa sozinho 42% do PIB da América Latina, incluindo o México. Se o Brasil quebrar, o México quebra 30 minutos depois, a Argentina quebra 15 minutos depois, o Chile 5 minutos depois, o Paraguai...
Todo o PIB da Argentina equivale ao interior do Estado de São Paulo e o PIB do Chile equivale à Grande Campinas, segundo levantamento feito pela consultoria Ernest & Young.
Todo o PIB do Uruguai equivale ao bairro de Santo Amaro em São aulo. Acreditar no Brasil é muito mais do que uma questão de fé. É ter a realidade em nossas mãos, saber que é possível, apesar das muitas mazelas políticas, econômicas e sociais que ainda acontecem.
GILCLÉR REGINA é consultor de empresas e escritor





