Amanhã o Governo Lula completa dois anos e entra em contagem regressiva, e, em 5.600 municípios, os prefeitos recém-eleitos estréiam e os reeleitos dão continuidade ao mandato. Os novos entram cercados do entusiasmo peculiar dos estreantes, e os que vão continuar buscam realizar o que não conseguiram na gestão que se encerra. Com os prefeitos, também as câmaras de vereadores se renovam, instala-se um novo corpo de Secretários municipais e assessores e, no geral, o clima será de euforia, ao menos nas semanas imediatas deste 1º de janeiro. Foi assim no dia da posse de Lula, foi assim há quatro anos, quando assumiram os prefeitos do quadriênio que hoje termina. No que respeita ao governo federal, esperanças se frustraram e os esperançosos do passado converteram-se em espectadores, já não muito interessados e apenas assistindo ao desfilar dos acontecimentos. Não é coisa boa essa queda de motivação, porque, se é o Brasil-cidadão que faz as coisas andarem, a participação do Governo é fundamental. É como uma junta de bois puxando o carro e um deles fraqueje e tenha de ser arrastado pelo outro. Na verdade a máquina pública, ao invés de caminhar junto e repartir o peso da carga, tem sido uma tração quase nula e uma sobrecarga que a outra parte ainda tem de carregar. A nação produtiva é o boi que tem de carregar o fardo e por acréscimo arrastar o companheiro vagaroso. Quanto aos prefeitos e vereadores, sabe-se que a maioria é motivada, antes de tudo, pelo fascínio do poder, sobrando pouco de espírito público. Os resultados são, no mais dos casos, aquilo que historicamente se conhece: poucas realizações, gastos com inutilidades, desperdício, inépcia gerencial e, o pior, desmandos e corrupção. São tristes acontecimentos que se repetem. Alguns escândalos afloram, outros mantêm-se camuflados sem que deles a população tome conhecimento, ao final tudo ficando por isso mesmo. Os brasileiros sempre têm esperanças acerca do que possam fazer os governantes em benefício da nação, mas se não se precavêm, mantendo o zelo com o próprio negócio, podem dar com os burros n'água, porque os governos não são garantia antes, uma instituição com a qual têm de sempre estar atentos. Os prefeitos que amanhã assumem conviverão dois anos com o Governo Lula e caso do Paraná com o Governo Requião. Se não houver reeleição desses comandantes, irão ingressar em nova ordem e terão de refazer alianças e entendimentos. Apelar para a consciência dos novos chefes municipais quanto à lisura na forma de governar será o mesmo que nada, mas pode-se apelar para a vigilância das respectivas comunidades, porque capazes se forem atentas, unidas, organizadas e persistentes.

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