O Brasil está sorrindo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de agosto de 2002
Gilberto Jordão 
Como percebemos o Brasil está sorrindo, do Amazonas ao Rio Grande do Sul.
São outdoors que estampam os sorrisos dos que querem nos representar, fazendo assim, cada qual, sua missão.
Mas como notamos, as figuras políticas estampadas nos cartazes estão sorrindo da ingenuidade dos brasileiros, bem como das promessas feitas, anteriormente, e não cumpridas. São sorrisos maquiavélicos que deixam transparecer mensagens como: ''Aqui estou novamente, solicitando seu apoio para combater a sua fome!''; ''Olha eu aqui novamente, imbecil!''; ''Olhe bem nos meus olhos, pois vou enganá-lo outra vez!'' São sorrisos enormes e geometricamente estampados.
Suas promessas vão desde o fim da corrupção até a prisão dos culpados. Mas estamos cansados de saber que isso não ocorrerá.
Sabemos que os postulantes aos cargos não se dividem. Eles jamais serão bondosos na política, pois agem de forma contrária com o apregoado em matérias econômicas, culturais e morais.
Os políticos heróis estão desaparecendo. Os que ainda existem não são ouvidos.
O Brasil está à caça de homens públicos simples, natos e francos, no que se refere ao trato com a sociedade.
Há necessidade que os sorrisos estampados se tornem sérios e que seus donos marchem em direção ao espírito inovador, em busca de soluções para nossos irmãos que estão à míngua há vários anos sucessivos.
Vamos exigir que esses sorrisos se transformem em repúdio a qualquer composição desordenada. Sabemos que tais sorrisos são máscaras pré-postas e que ao se elegerem as mesmas serão rebeldes e despem seus sorrisos, tornando dessa forma antipáticas.
Aquelas caras bonitas e estrategicamente montadas, não aguentarão submeter-se a uma vida de sacrifícios exemplares, que os enobrecem como figura humana em prol da sociedade. Tais caras jamais estarão ao nosso lado, no sentido de realizar as promessas feitas.
Após as eleições, os sorrisos lindos tornam-se carrancas amargas e mal-humoradas. A luta prometida deixará, então, de ser o dínamo de seus sorrisos, essa é uma realidade. Quando eleitos privam-se de tudo, inclusive da condição de dirigente social e se transformando em antagonismos de quem os elegeram. Ao contrário do que pensamos, eles negarão e trairão seus compromissos e valores éticos assumidos publicamente por meio de seus lindos sorrisos.
Há uma disputa diabólica em busca de um espaço para mostrar os sorrisos atraentes. É uma verdadeira concorrência na busca do nicho mercadológico, para escolher os melhores locais para mostrar as caras majestosas e belas. São sorrisos de menosprezo à nossa melancolia.
Surgem sorrisos infundindo vitalidade à esperança dos trabalhadores, dos estudantes, dos idosos, dos desempregados, dos detentos etc, todos esses desesperados e desorientados, na busca de uma esperança individual ou coletiva.
Ao findar as eleições as fisionomias estampadas se tornam ultra-radicais, passando uma ressonância de detratores e inimigos às pessoas que os elegeram.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário


