Em 500 anos de Descobrimento, o Brasil sofreu mudanças radicais por conta da Colonização, Independência, República, Ditadura Militar, Democracia, Eleições Diretas. As mudanças ficaram mais evidentes ao final dos ciclos, o que é natural. Recentemente a pseudodemocracia adotada pelo governo Fernando Henrique Cardoso, caracterizada pelo entreguismo, loteamento do patrimônio nacional, especulação política e econômica, foi percebida pelo povo, que compreendeu que o que havia existido até esta época foi uma reprodução dos modelos antigos de administração federal, com uma fachada de modernidade, intelectualismo e articulação politiqueira.
O povo foi privado da defesa dos seus interesses mais básicos e urgentes em favorecimento dos grandes grupos econômicos e políticos. Isso resultou em anos de penúria e privação para os mais diferentes segmentos da sociedade brasileira. Nem tudo foi em vão, temos que reconhecer que o Brasil nunca havia vivido um período com tanta liberdade de expressão, em que a imprensa teve autonomia quase total para denunciar escândalos e desmandos, e foi responsável pela mudança na mentalidade do povo, através da mais ampla possível divulgação dos fatos nacionais e locais, de todos os setores da sociedade.
O acesso à informação mudou vários conceitos preconcebidos e reforçou a consciência sobre a necessidade de mudanças no país. O povo votou pela mudança do Brasil. Por um Brasil diferente. Em quatro meses de governo, as críticas pipocam por parte de quem foi prejudicado pela mudança nos processos viciados, corruptos, tutelados pelo governo anterior e suas ramificações. Sentem-se ameaçados pelo novo, esquecendo que FHC levou oito anos para destruir e que leva mais que cem dias para construir uma estrutura nova, resistente e consistente, onde são necessárias as adequações de métodos que dão suporte para o surgimento de uma política sólida.
O governo Lula tem negociado, consultado e debatido com os mais diversos setores da sociedade organizada e com as administrações estaduais e municipais, abrindo espaço para o engajamento e compromisso de todos com a transformação e o progresso.
Este processo tem sido desenvolvido com seriedade, percebida inclusive pela comunidade internacional, levando à diminuição do risco Brasil, que é um termômetro do nível de credibilidade política, produtiva e econômica do país, assim como a queda do preço do dólar, e a conduta do Brasil com relação à atitude tresloucada do governo americano na guerra contra o Iraque, de desobediência às resoluções da Organização das Nações Unidas.
Por essas, e mais, com a implantação, no momento oportuno, das políticas sociais, é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda vai ser lembrado como um grande estadista. A população, em sua maioria, já está se engajando nas mudanças propostas pelo governo Lula, sentindo a diminuição das pressões inflacionárias, participando do Programa Fome Zero.
O governo inaugurou uma maneira diferente de administrar, onde a participação popular e dos segmentos organizados é imprescindível para o seu melhor resultado. Isso vai requerer um amadurecimento por parte de cada cidadão, que vai participar das realizações, fiscalizar os métodos e encaminhamentos, assim como cobrar os resultados.
Ainda somos um país jovem, temos muito que aprender, mas somos um povo trabalhador e cheio de coragem. Não temos medo de tentar mudar nada, mas a participação é fundamental.
CARLOS ALBERTO CAVALCANTI DE OLIVEIRA é funcionário do Banco do Brasil em Londrina e presidente da Associação Atlética Banco do Brasil

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