O Brasil enfrenta nestes dias uma crise de autoridade. Este não é um fato novo, pois regionalmente alguns exemplos de domínio de determinadas situações, até por criminosos, já deixaram parte da população nacional em pânico. Como é o caso do narcotráfico, no Rio, onde traficantes decidiram mandar e desmandar, inclusive determinando fechamento das portas do comércio e impedindo escolas de funcionarem.
Agora, seis meses após a posse dos atuais governantes nos estados e em Brasília, de onde deveria emanar o comando político e administrativo do País, a questão agrária causa preocupação e temor, uma vez que nem sempre as ações visando a conquista de um pedaço de terra ocorrem de maneira pacífica, ordeira e justa. Não se atribuem os exageros das ações à entidade que representa os sem-terra. É preferível acreditar que esta, sob uma liderança exemplar, desenvolva sua luta pautada em diretrizes éticas e morais inquestionáveis. Assim seja, portanto.
E, desta forma, o que pode ocorrer é o surgimento de grupos mais afoitos dentro da organização, longe das lideranças regionais e nacional, buscando atingir objetivos comuns de forma isolada e não exemplar. É o risco que se corre em qualquer segmento.
No Paraná, o governo do Estado acena para Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, com a possibilidade de diálogo e, sobretudo, concessões que antes inexistiram. A negociação seria, desta forma, o caminho possível e viável para que famílias atualmente instaladas em área invadidas possam sem assentadas.
O mesmo acontece no cenário nacional. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preocupado com o regrudescimento nas ações do MST, reforçou a equipe de governo responsável pela negociação com os líderes do movimento. E também anunciou algumas medidas que contemplam os pequenos agricultores, inclusive com pacotes econômicos.
Mas determinado setor deste segmento entende diferente. Pronunciamento de líder de um destes grupos, durante a semana, foi de que a mobilização que os sem-terra desencadeiam não visam atingir o governo federal, mas os latifundiários. Verdade, eles ainda existem. Mas este tipo de discurso, conforme comprova a história, não leva a lugar algum.
O ideal seria que a luta do segmento fosse para contemplar agricultores que não têm onde plantar. Esta seria uma causa justa e merecedora de aplausos, desde que as invasões ocorressem em áreas realmente improdutivas e de acordo com procedimentos adequados. Mas até pequenas propriedades de cerca de 40 alqueires estão sendo tomadas, além de campos de pesquisas e de preservação. Assim, uma causa justa se transforma em munição para uma luta flagrantemente política, em que os exércitos, de ambos os lados, parecem querer medir forças.
O Brasil é de todos os brasileiros, que de tantas lutam dependem para ter emprego, educação, saúde, moradia, condição digna de vida. O Brasil é também dos sem-teto, cuja maioria está sem trabalho, e estes são muitos. O País precisa, antes de iniciar estas lutas, de um posicionamento firme do governo.

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