Tive a honra de ser escolhido entre os 513 deputados federais para ser o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional durante o ano de 2000. Já ocuparam a mesma função, de 1946 até hoje, apenas 27 deputados, destacando-se entre tantas figuras ilustres os parlamentares Franco Montoro, Ulysses Guimarães, Luís Eduardo Magalhães, Flávio Marcílio e Bernardo Cabral.
Durante o período, a comissão apreciou 58 proposições, 51 requerimentos, além de 105 matérias relatadas entre seus 46 membros. Os debates e audiências públicas foram concorridos e estabelecemos uma séria avaliação sobre o impacto comercial advindo da globalização e nossa participação nos blocos econômicos.
Uma análise singela do trabalho anual da Comissão de Relações Exteriores demonstra que as decisões temáticas variaram do programa científico/industrial aeroespacial brasileiro, atuação da Embraer no contexto mundial, sistema exportador do complexo soja, sistema defensivo das fronteiras com ênfase no Plano Colômbia, participação brasileira nos blocos econômicos Alca e Mercosul, presença do Brasil nos diversos organismos internacionais como OMC, ONU, Unesco, tratados internacionais com países das nossas relações diplomáticas, controle do tráfico internacional de drogas, verbas orçamentárias para o Ministério de Relações Exteriores, Defesa Nacional e os comandos do Exército, Aeronáutica e Marinha.
Novas atribuições foram criadas como a ‘‘subcomissão de relação com os países de expressão portuguesa e o Timor’’, e, por último, o controle externo da política nacional de inteligência, em conjunto com o Senado, que se exteriorizae na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde continuo sendo o relator dos projetos inerentes ao seu funcionamento.
Ao longo do mandato, fui anfitrião de inúmeras delegações estrangeiras que visitaram a Câmara. Caso citasse todos os países ou organizações com certeza ocuparia muito mais espaço. Foram embaixadores e representantes diplomáticos de todos os continentes além de delegações oficiais de países em visita ao Brasil.
Sempre transmiti aos visitantes a importância da ‘‘diplomacia parlamentar’’ e seu envolvimento com a democracia e relações perenes com países que possuam trajetória democrática e realizam comércio com nosso País. Fiz da presidência da comissão uma ante-sala de nossa pujança comercial e posso afirmar, sem falsa modéstia, que em alguns casos, obtive sucesso.
Um episódio significativo da importância de nossas atividades foi o convite formulado pelo presidente Fernando Henrique a um membro da comissão para que ocupasse a Embaixada em Moçambique. O debate sobre tal atitude demonstrou o fortalecimento da própria comissão.
No caso da retaliação comercial do governo canadense à importação de carne bovina fomos duros com o ‘‘risco teórico de contaminação com o mal da vaca louca’’. Presidi uma sessão extraordinária da comissão onde exigimos do Canadá o respeito que merecemos como parceiros comerciais.
A repercussão foi imediata com a nomeação de uma comitiva congressual que irá aquele país para debater com autoridades e parlamentares e ainda esclarecer a opinião pública sobre os reflexos danosos que a medida unilateral causou ao Brasil. Em hipótese alguma descarto o pedido de indenização por perdas sofridas em nosso comércio exterior.
Ato contínuo, o próprio embaixador do Canadá, Jean-Pierre Juneau, fez questão de visitar-me e debater com deputados e senadores acerca do episódio que criou mal-estar em nossa histórica relação diplomática e amadureceu a forma de resolvermos nossos contenciosos comerciais, que por certo apenas começaram com a entrada brasileira no rol de países que exportam produtos com valor agregado tecnológico.
Designei vários parlamentares para atuar em missões oficiais como a que acompanhou as eleições presidenciais no Peru e Iugoslávia, reafirmando o Parlamento como ativo representante do povo brasileiro e da solidariedade que faz parte de nossa índole.
Encerro meu período à frente da Comissão de Relações Exteriores e agora novos desafios despontam no Congresso. Em qualquer das novas funções sempre estarei trabalhando para dignificar o mandato parlamentar outorgado pelas famílias paranaenses e levando a missão de bem representar o nosso País.
- LUIZ CARLOS HAULY é economista, professor universitário e deputado federal pelo PSDB-PR

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