Depois da crise econômica, ocorrida há três anos, a economia mundial voltou a mostrar sinais de fraqueza. As bolsas de valores do mundo caminham para a quarta semana de perdas, com os principais índices em queda. A preocupação ainda é com a economia dos Estados Unidos, que continua emitindo sinais de alerta e de que a crise na Europa pode se alastrar para outros países. Até mesmo o preço do petróleo - uma das commodities mais valorizadas no mundo - tem recuado devido ao receio de queda na demanda, provocado claramente pelo desaquecimento da economia global. Somado a este cenário, bancos e agências de risco reduziram as projeções de crescimento econômico e do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos.
E como os considerados países emergentes podem ser afetados por uma crise em estados desenvolvidos? Em maior ou menor escala, certamente haverá contaminação. No entanto, o Brasil tem que estar preparado para lidar ou para tentar sair dela com poucas consequências. Algumas agências de risco apostam no descolamento do bloco dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) dos países ricos. No entanto, os preços das commodities já têm registrado baixas, o que pode reduzir a pressão inflacionária na China e no Brasil. Desta forma, a avaliação é que os países podem manter um crescimento sustentável, embora em índices menores.
Estudo do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) divulgado na quinta-feira aponta que o Brasil está preparado para enfrentar a crise. Situação fiscal sob controle e combate à especulação no mercado de derivativos cambiais são apontados como pontos fortes. No entanto, há o reconhecimento de que a balança comercial é um ponto negativo. Nos últimos anos, os produtos industrializados perderam espaço para as commodities primárias, devido à forte demanda chinesa por esse tipo de produto. Outro fator é a valorização cambial.
Apesar de a ''economia estar nos trilhos'', é imperativo que o governo federal continue tomando as medidas necessárias para que os brasileiros não sejam afetados por fatores externos. É preciso incentivar a exportação de produtos processados, em detrimento de commodities, de baixo valor agregado. As indústrias geram mais empregos, renda e impostos. Além disso, como boa parte das decisões econômicas são tomadas por políticos é preciso consciência e bom senso para não prejudicar a população.

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