O Brasil e a Alca
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de maio de 2003
Sebastião Bernabé Alvim 
O Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca) cuja discussão se deu início com encontro de Miami em dezembro de 1994, aglutinando 34 países entre as Américas do Norte, Central e do Sul, previsto para entrar em vigor em 2005, não passa de uma ardilosa estratégia norte-americana com objetivos políticos, econômicos e militares.
O primeiro objetivo político seria consolidar sua dominação sobre os maiores estados da região e conseguir apoio desses em disputas com outras potências como Rússia, União Européia, China, Japão etc. No campo militar, a estratégia seria comprometer os países latino-americanos com as ações militares dos Estados Unidos contra os países os quais o presidente George W. Bush denominou de eixo do mal, como Iraque, Coréia do Norte, Irã etc.
No plano econômico, a isenção de tarifas comerciais aumentaria significativamente o superávit comercial norte-americano, devido ao elevadíssimo desenvolvimento tecnológico de seu parque industrial, os subsídios dados aos seus agricultores e as barreiras comerciais que esse país usa inescrupulosamente para impedir a entrada em seu território de produtos latino-americanos.
Com o fim dos impostos alfandegários, as empresas norte-americanas instaladas no Brasil passarão a comprar os seus insumos industriais diretamente de seu país de origem, levando muitas empresas brasileiras à falência e, consequentemente, aumentando ainda mais o desemprego entre nós. Isso também faria com que os investidores internacionais dessem preferência ao território norte-americano, já que lá estariam mais seguros às turbulências advindas da vulnerabilidade dos países do Terceiro Mundo perante a globalização.
Um prognóstico feito pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) sobre os ganhos e perdas para o Brasil, concluiu que o país perderá um bilhão de dólares no momento seguinte à criação da Alca. A Aladi (Associação Latino-americana de Integração) também estudou esse assunto e demonstrou que a exportação brasileira para seus vizinhos diminuiria em 10%, já no início da vigência desse acordo.
A única vantagem, a priori, para os brasileiros, seria a inclusão nesse tratado da livre circulação de mão-de-obra não-qualificada, porém isso não interessa aos ianques que continuam restringindo fortemente a entrada de latino-americanos em seu país a começar pelo seu parceiro da Nafta, o México.
A conclusão a que chegamos a respeito desse tratado, é que o Brasil e outros países da América Latina continuarão sendo depósito de mão-de-obra não-qualificada, consumidores de produtos norte-americanos e fornecedores de matérias-primas de baixo valor comercial e produtos agrícolas de origens tropicais.
SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM é relações públicas em Londrina


