Apagão virou moda no Brasil. Ontem, as populações das regiões brasileiras que escaparam do programa de racionamento de energia elétrica do governo federal trabalharam normalmente, enquanto o resto da Nação cruzou os braços e descansou para não gastar energia. No Paraná, foi dia normal de trabalho, exceto para os estudantes que o ‘‘enforcaram’’.
Não quero dar munição para o retrógrado e inaceitável discurso separatista, mas realmente fazemos parte de um outro Brasil. Não só por sua importância econômica, pelas características de seu povo, por sua infra-estrutura e serviços, o Paraná ganha destaque nacional mais uma vez por sua capacidade de produzir e ‘‘exportar’’ para outros Estados brasileiros energia elétrica.
Fazemos realmente outro Brasil. Em Brasília, nossa capital federal, sede do governo que mais incentivou as privatizações na história do País, a Esplanada dos Ministérios apaga as luzes mais cedo. Os servidores públicos federais estão sendo dispensados às 17 horas. Quem passa desse horário em sua sala de trabalho, desce pela escada ou disputa com os outros retardatários um único elevador de serviço. Este é um outro país.
No Paraná, a produção industrial continua crescendo e a população está dando respostas rápidas e eficientes ao apelo de evitar o desperdício de energia. Aliás, o Paraná sempre entendeu muito desse assunto. Prova disso é a nossa auto-suficiência em geração e distribuição de energia. Somos mestres nessa área e não exportamos apenas energia, mas também transferimos know-how.
Foi analisando as diferenças entre o Brasil Aceso e o Brasil Apagado que comecei a levantar hipóteses a respeito do nosso passado recente. Nas últimas décadas, o Paraná investiu muito na geração de energia, construindo hidrelétricas, ampliando a rede de transmissão e lançando novos serviços. Com recursos do povo do Paraná, nossos gestores públicos construíram um patrimônio que hoje nos garante lugar no Brasil Aceso.
Agora, alegando problemas financeiros intransponíveis, o governo do Paraná afirma ser inevitável a privatização da Copel. E a luz que ilumina os palacetes urbanos e os rincões longínquos do nosso Estado acende também uma dúvida no coração e na mente de todos os paranaenses. Será que precisamos nos desfazer de um dos nossos maiores patrimônios para saldar dívidas que não resultaram em benefícios concretos e diretos para nossa população?
O governo do Paraná ainda não conseguiu clarear essa questão. Nossa abundante energia ainda não foi suficiente para iluminar as verdades sobre as dívidas do Estado. Falta, sim, transparência! Afinal, como um Estado que diz estar em situação financeira delicada pode retomar um programa de atração de empresas com base em incentivos fiscais? Quem não tem dinheiro precisa arrecadar e não protelar o recebimento de crédito. Isso é matemática básica, que até mesmo arquitetos dominam.
Não sou contra o conceito dos programas de privatização do governo federal e do governo do Paraná, pois considero que o Estado não deve continuar atuando em setores não-essenciais para o desenvolvimento da Nação e de seu povo. Geração de energia elétrica é essencial para o crescimento e o progresso de um país e, por isso, não pode fazer parte de um programa de privatização.
O Paraná deve aproveitar a cadeira que ocupa no Brasil Aceso para exigir que seus governantes saiam das sombras e busquem na luz da razão a opção certa para o futuro da nossa Copel.
- MARCOS ISFER é deputado estadual pelo PPS

mockup