Como já perdemos a década de 90 e esquecemos a de 80, pelo pífio crescimento da economia que não conseguiu recuperar os níveis de produção e emprego relativos das décadas iniciais da última metade do século passado, nos resta prospectar o que pode nos acontecer com um novo governo tomando posse em 2003.
Os mandatos de FHC nos permitiram ter a certeza que tivemos um excelente chanceler em atividade e um péssimo presidente, com todos os atenuantes das crises mundiais espalhadas, que como ondas de um maremoto atingem com muita celeridade a economia brasileira, tão sensível e comprometida com os organismos internacionais.
Pois a grande questão que se coloca ao leque de candidatos com efetivas chances de chegarem ao Planalto é que mecanismos serão utilizados na política econômica para reativar a combalida produção nacional, recuperando padrões de empregabilidade, e sobrando alguns recursos para uma política social, que minore as chagas da desigualdade e da exclusão social, que atingem em cheio mais de 50 milhões de brasileiros?
Seja, como dizem as últimas manchetes nacionais, o ''fenômeno Roseana'', herdeira política do ''marimbondo de fogo'' José Sarney; seja o ''eterno'' candidato que estaciona nos 30% de índices eleitorais, como o ''trabalhador'' Luiz Inácio Lula da Silva; seja o estigmatizado como ''new Collor'', que quer construir um neocomunismo no PPS, Ciro Gomes, ou quaisquer outros, como os que necessariamente restarão da base governista, com todas as suas composições partidárias e conchavos regionais que advirão: todos têm de ''pôr a cara na janela'', nos mostrando como movimentará a varinha de condão para ressuscitar o Brasil.
Pois tudo o que se diz das mazelas sociais, redunda em futura e urgente necessidade de retomada do crescimento econômico, inserido no chavão de palanque ''desenvolvimento sustentado'', com reforço do ''exportar para viver'', isto sem falar em como disse estes dias, em São Paulo, o professor Lester Thurow, do Massachussets Institute of Technology (MIT), estudioso do capitalismo, da necessidade de expurgar as fraquezas flagrantes do Brasil em termos de competitividades interna e externa.
Segundo Thurow, o nosso gigante continental ''deitado em berço esplêndido'' deve resolver logo os ''enroscos'' da taxa de juros elevadíssima, do sistema jurídico arcaico, da baixa produtividade de sua mão-de-obra, da precariedade de infra-estrutura (rodovias e hospitais em péssimas condições, segundo ele) e do baixo nível educacional.
Sobre a educação, inclusive cita os exemplos dos emergentes China e Índia, que dispõem de sistemas muito mais evoluídos e aperfeiçoados do que o nosso, o que faz com que grande parcela dos investimentos internacionais seja carreada para lá.
Com a palavra, os candidatos, e que não nos venham com mais ''cinco dedos'' para serem ''decepados'' ao longo do governo...


- VILSON ANTONIO ROMERO é jornalista, auditor fiscal do INSS, diretor da Associação Gaúcha dos Fiscais de Previdência e conselheiro da Associação Rio-grandense de Imprensa

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