A publicação, neste domingo, do resultado de uma importante pesquisa nacional de opinião, revela que a população brasileira alcança atualmente um grau de maturidade de bom a excelente em relação a alguns dos grandes problemas que afetam o País, inclusive na área do meio ambiente. A pesquisa, hoje em sua terceira edição, é feita a cada quatro anos pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Instituto de Estudos da Religião.
De modo geral, conclui que questões como desmatamento, contaminação da água, poluição dos rios e falta de saneamento básico estão entre as principais preocupações dos brasileiros. Quanto à metodologia, pode-se dizer que o trabalho, que teve a sua primeira edição realizada em 1992, está devidamente embasado em critérios científicos, eis que teve a coleta de dados sob a responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ouviu duas mil pessoas com mais de 16 anos de idade, de zonas urbana e rural, seguindo uma proporção que representa a distribuição da população brasileira por idade, sexo, escolaridade, renda e região, conforme amostragem utilizada em uma eleição presidencial.
Este cuidado de enquadar o trabalho a um molde rigorosamente científico já vale como um mérito, a ser concedido ao próprio órgão público e à entidade que estão envolvidas no levantamento. Além deste mérito, o mais importante é a confiabilidade que a pesquisa adquire. Assim, pode-se trabalhar com resultados como o do valor que o brasileiro dá às suas florestas, principalmente a Amazônica, embora alguns segmentos da economia nacional, impulsionados pelo fácil ganho, a título do progresso, e bancados por multinacionais, contribuam descaradamente para o desmatamento visível das nossas matas. As florestas são, de acordo com a pesquisa, o principal motivo de orgulho nacional.
Esta conclusão foi originada a partir de opinião espontânea manifestada por 28% dos dois mil entrevistados, que citaram, ainda, que as matas nativas são o grande diferencial ambiental do Brasil, em relação a outros países. Outro percentual expressivo é o relacionado aos recursos naturais disponíveis no País, e mencionados por 39% dos entrevistados.
Já em relação aos problemas ambientais globais, como o efeito estufa, o trabalho do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto de Estudos da Religião concluiu que 56% do universo pesquisado preocupa-se com o problema. Desse total, 76% foram capazes de comentar, acertadamente, o fenômeno, citando suas causas e suas consequências. É claro que o mesmo ainda não se pode observar em relação aos produtos geneticamente modificados, que por ser um tema ainda pouco desconhecido pela maioria da população, é desconhecido, segundo o levantamento, por 57% das pessoas entrevistadas.
O resultado mais alentador, entretanto, diz respeito à relação do brasileiro com as entidades envolvidas na defesa do meio ambiente. Embora somente 1% da ppulação nacional esteja envolvida atualmente em alguma organização não-governamental ecológica, 70% dos entrevistados revelaram disposição de ajudar a proteger o meio ambiente e disseram ter simpatia por tais entidades. Do total, mais da metade responderam ter interesse de participar de algumas delas, principalmente as que defendem as florestas. São percentuais significativos num País onde, até recentemente, as organizações não-governamentais da área do meio-ambiente sofriam pressões dos governos e de determinados grupos empresariais, enquanto boa parte da pooulação desconhecia suas existências.
Só cabe ao brasileiro, e isto está claramente detectado na pesquisa, despojar-se de um certo individualismo e apego a um valor material que polui e se constitui em grande problema nacional. O carro, para os pesquisados, ainda é muito importante, com 51% dos dois mil entrevistados que dizem não ter disposição de abrir mão desse conforto. Mas deve ser avaliado se esse apego, na verdade, em vez de conforto não seria uma necessidade de transporte rápido e confiável, o que o brasileiro, infelizmente, ainda não tem, excetuando algumas raras iniciativas locais.

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