Os financiamentos à atividade rural, sempre alardeados pela propaganda oficial, nunca atenderam às reais necessidades do setor. Este é um pesadelo que acompanha o tão importante e desassistida produção. Problema como este e uma vasta listagem de outros chegaram a um ponto de exaustão e resultaram na mobilização de milhares de produtores do Paraná, que hoje se reúnem em Londrina, sob o comando da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e Ocepar, tendo como será a sede da Sociedade Rural do Paraná. Quando, no primeiro ano de seu mandato, o presidente Lula visitou a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina garantiu aos produtores que o Governo sob o seu comando daria atenção especial à atividade do campo. Mas, assim como tantas palavras suas, estas também diluíram-se no éter e não se cristalizaram na prática. O Governo comete uma incoerência quando, ao fazer cumprimento com o chapéu alheio, alardeia o superávit da balança comercial externa, o que é devido à agricultura e à pecuária. Porque, no discurso, faz indiretamente a exaltação dessa fonte de riquezas, mas na realidade não a atende como devia. No dizer do presidente da Faep, Ágide Meneguette, se não houver socorro, os produtores rurais, que já contabilizam prejuízos históricos, ficarão inadimplentes e ''não terão condições de plantar na próxima safra''. Paralelamente, os fornecedores de insumos não poderão financiar a sua parte, que complementa o escasso crédito rural. O setor agrícola tem sofrido recentes revezes, como a queda de produção, pela insuficiência de chuvas, a elevação dos custos de produção (em certos itens superior a 25%) e o declínio dos preços internacionais no mercado da soja, milho, trigo e algodão, isto agravado pela acentuada baixa do dólar. Os produtores precisam ser atendidos em seus pleitos, destacadamente a liberação emergencial de recursos para refinanciamento das dívidas com os fornecedores de insumos, e outras mais. As necessidades do campo o Governo conhece, por via do ministro da Agricultura e Pecuária, Roberto Rodrigues. Mas parece que a comunidade governamental encastelada nos gabinetes ignora que a atividade rural é que fornece o alimento para a mesa dos brasileiros, sustenta o superávit na pauta de exportações e gera grande quantidade de empregos. É, portanto, um setor que proporciona retorno garantido, pelas generosas respostas que dá a cada safra. Devem saber os cérebros mais privilegiados da esfera oficial que governo não se exerce só com discursos e com acomodações políticas de que a atual administração tem se ocupado primordialmente mas sim com medidas de atendimento aos setores que dão sustentação à economia e promovem o desenvolvimento e o bem-estar social. A agropecuária é o mais importante deles. Brasília deveria saber que não se basta por si só e que não garantirá governabilidade se os setores da produção se enfraquecerem e muito especialmente a agricultura porque é toda essa dinâmica que compõe o que se denomina infra-estrutura sustentável, estabilidade institucional e segurança nacional. Há uma parte, nesse processo, que compete exclusivamente à gestão pública, e ela não a está cumprindo, porque envolta em administrar as suas próprias mazelas, que são os acertos políticos, a tentativa de abafar escândalos, a busca de conter CPIs, enfim as coisas de sua própria sobrevivência intestina, enquanto desassiste ao setor vital do organismo nacional, que é a sua cadeia produtora. Se esta perecer, tudo o mais perecerá.

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