Estudo feito pelo professor José Pastore, da Universidade de São Paulo, demonstra que o servidor público ganha melhor do que o trabalhador privado. E tem a vantagem da estabilidade no emprego, das promoções automáticas e das melhores condições na aposentadoria. Em tarefas semelhantes, o funcionário público recebe quase o dobro a mais. No Governo Lula a situação desses privilegiados ficou ainda melhor, com o acréscimo de que foram contratados centenas de milhares de novos funcionários, aumentando 11% o gasto no setor, ou seja, todo o aumento acumulado de 1995 a 2005. (Os números de 2007 não se conhecem ainda, mas as admissões continuaram).
Pelo levantamento do renomado professor paulista, as contratações do Governo federal, dos Governos estaduais e das prefeituras, nos últimos anos, consumiram grande parcela da arrecadação tributária, e os serviços públicos não melhoraram, mas ficaram iguais ou piores. De 2002 a 2006 o aumento do salário real médio, no setor privado, foi de apenas 0,5%, enquanto o gasto com o funcionalismo público elevou-se grandemente, no três níveis de governos, sugerindo - embora não haja um porcentual conhecido - que o aumento para os servidores públicos foi infinitamente maior.
Outra vantagem do servidor público é que ele não tem patrão, porque, além do benefício de não ser despedido, não passa pela rigidez do controle de trabalho, como na empresa privada. Seus chefes dos escalões mais altos passam pelos cargos temporariamente, em razão das oscilações político-administrativas, então eles pouco se importam com a eficiência do pessoal.
Segundo reportagem do jornal ''O Estado de S. Paulo'', o Governo dá tratamento privilegiado à área administrativa, em detrimento da saúde, da educação e outros setores considerados carentes. O jornal mostra que enquanto o salário inicial do auditor fiscal da Receita Federal teve (de 2003 a 2007) aumento real de 55%, o do professor universitário com doutorado aumentou 18% e o do médico apenas 5%. E o presidente Luta tem declarado que não se consegue melhorar a qualidade do ensino e da saúde sem contratação de mais gente. Ele melhoraria essa qualidade se não privilegiasse com bons salários apenas o funcionalismo da área administrativa.
Os elevados escalões oficiais, nos Poderes executivo, legislativo e judiciário, nos três níveis de governos, assim como as aposentadorias milionárias, abocanham a grande fatia do orçamento destinado ao pessoal. Estar vinculado a qualquer função pública, nos setores administrativo e político, é hoje o melhor dos empregos. Tudo isso pago com o dinheiro do povo, por via dos impostos escorchantes, sem retorno em serviços na mesma equivalência.

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