Na semana passada, a FOLHA mostrou atitudes exemplares de duas famílias humildes, de Londrina e Curitiba, que doaram órgãos de seus entes queridos. Mesmo num ambiente de tristeza e revolta (as mortes ocorreram em circunstâncias trágicas), elas tiveram a lucidez de praticarem atos de significativa bondade.
Em editorial, a FOLHA comentou que o Brasil dos brasileiros não é aquele quadro deplorável pintado em Brasília. O Brasil tem muitos exemplos para encher seu povo de orgulho e patriotismo.
O mais recente exemplo de competência, de amor e determinação vem de Maringá. Na edição de domingo, a FOLHA destacou - com exclusividade - um caso raro da medicina em que um gêmeo sobreviveu cinco semanas na barriga da mãe depois do nascimento do irmão.
O médico paranaense Carlos Gilberto Almodin - professor da USP e respeitado pesquisador na área de reprodução humana - tomou a difícil decisão de levar a questão adiante e tentar o chamado parto em dois tempos. O sucesso foi total!
Em sua clínica, no centro de Maringá, Almodin vem desenvolvendo técnicas que seriam inimagináveis até alguns anos atrás, como a vitrificação de óvulos, mais simples e menos onerosa do que o congelamento de embriões. O médico refuta a expressão ''milagre'' - conta a repórter Silvana Leão - ciente de que nada no campo da ciência é conquistado sem muita pesquisa e trabalho.
Mas Almodin torna-se a expressão máxima de que os competentes são igualmente modestos ao afirmar: ''O mérito não é meu e sim de alguém lá de cima que me guiou e quis que tudo acontecesse assim, de forma tão harmoniosa''.
Lendo a reportagem, a conclusão é que o nascimento do bebê Gustavo Yamamura marca um evento inédito na medicina brasileira e mundial. Gustavo foi gerado em uma gestação dupla e veio ao mundo cinco semanas depois de sua mãe entrar em trabalho de parto e perder o primeiro bebê. O primeiro diagnóstico foi de que a gestação da senhora Meire Ayumi Komagome Yamamura, 38 anos, teria de ser encerrada ali, diante da impossibilidade de salvar os bebês, na época com 23 semanas de gestão (para garantir a sobrevivência o ideal seriam 28 semanas). Porém, o que aconteceria nas próximas horas iria contrariar tudo o que foi relatado até hoje na literatura médica. Prevaleceu o talento e a dedicação do cientista Almodin, para a felicidade da família. E a ciência lavra um grande feito.

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