O bom exemplo da Pastoral do Esporte
Tudo o que se fizer pela causa das periferias pobres é válido, e estimula ver trabalho como o de um grupo de paroquianos da Catedral, em Londrina, que acaba de criar a Pastoral do Esporte e vem apoiando projeto de formação, por via do futebol, de adolescentes carentes do bairro União da Vitória. Há os que condenam que a Igreja se envolva em questões temporais e sobretudo com a política, mas essa poderosa instituição optou, e acertadamente, por dedicar-se também às causas sociais no universo da pobreza. Porque a religiosidade pode perfeitamente conviver com as ações dessa natureza. A participação das religiões na vida comunitária é, portanto, pertinente. Movimento como este da Pastoral é uma forma de atuação política. Mesmo a participação no processo eleitoral e a presença da Igreja nos parlamentos não provoca prejuízo à causa da fé. Ao contrário, pode robustecê-la. Por ora, a Pastoral criada está dando assistência a 70 garotos, em apoio a um traballho que já vinha sendo desenvolvido pela Fundação de Esportes de Londrina. Também estão sendo distribuídas cestas básicas às famílias dos meninos mais assíduos. Como o projeto vem danto certo, o grupo pretende expandi-lo. Uma das boas coisas é que está ocorrendo a integração com meninos de outros bairros, pela realização de jogos. Também se planeja a construção de instalações físicas, e para isso estão sendo buscados padrinhos patrocinadores. Das palavras à ação, este o ideal. Porque se há problemas gravíssimos de criminalidade no círculo da juventude pobre sujeita também à envolvência com as drogas nada melhor do que programas como este. Se a estabilidade das famílias carentes é necessária, pela via de empregos e da melhor condição de moradia e outros atendimentos, ações paralelas de incentivo aos adolescentes desse meio são importantes. Como as populações pobres são mais vulneráveis e com mais risco de derivar para atos ilícitos, pela própria circunstância de vida e pela necessidade de sobrevivência ademais por influências nefastas muito próximas um menino sentindo-se valorizado pode ser freado em eventuais ímpetos para práticas ruins. Ação como esta da Pastoral e da Fundação do Esporte são formas de proteção ao menor, e por isso precisam contar com todo o apoio da sociedade, porque não basta apenas aplaudir. Tudo isto não invalida as lutas que a mesma sociedade deve empreender visando a implantação de políticas públicas que salvem os escravos da pobreza, de forma permanente. Mas, paralelamente, é preciso atacar os problemas sociais pelas diversas frentes que produzam resultados imediatos. Porque não se pode esperar pelo que tarda se certas situações reclamam solução emergencial. Dê-se a isso o nome de assistencialismo, mas tal é também necessário, porque Governo e sociedade vieram negligenciando e permitiram que os males sociais assumissem grande proporção. Há então que enfrentá-los em conjunto e simultaneamente, por todas as maneiras.





