O verão ainda continuará por muitos meses, ao menos nesta região quente do Paraná, mas, por estratégica decisão, dezenas de lojas já estão promovendo liquidação de peças da presente estação. Algumas oferecem descontos que chegam a 50%, e isto naturalmente atrai a clientela. Mas tais campanhas deixam sempre a suposição de que os preços de antes dessas ''queimas'' eram elevados demais. Sabe-se que o comércio não joga mercadorias fora e nem vende abaixo do custo, portanto as ofertas favorecedoras de agora deveriam ser coisa normal o ano todo. Assim, o comércio ganharia menos no porcentual de lucro porém muito mais pelo volume de vendas. Este é o segredo da prosperidade e é assim que procedem comerciantes de sucesso. Porque, toda esta mercadoria agora oferecida a preço mais baixo poderia ter sido comercializada meses antes se os valores fossem os atuais. E, dessa forma, no momento não estariam vendendo estoque velho, mas novo. Cada dia, no comércio, deve ser de liquidação, porque venda perdida é venda que não se recupera. Significando que o produto que não escoou hoje, amanhã estará ocupando o lugar do novo. Isto, pela ciência do mercado, é uma forma de prejuízo. Adiar vendas é adiar ganhos. Mais que isso, quem comprou uma peça em dezembro e agora vê a similar vendida pela metade do preço, sente-se burlado e, com razão, imagina-se com o direito moral de solicitar a devolução do que pagou a mais. Cada qual é livre para adquirir o que deseja, e pagar o preço, mas poderia haver uma maior lealdade da loja para com a freguesia, para que esta não a abandone ante a frustração de ver uma mercadoria pela qual pagou caro sendo vendida com até 50% de desconto. Essas coisas têm o mesmo impacto frustrante do cidadão que paga seus impostos em dia e, logo mais, assiste ao poder público concedendo anistia ou descontos aos que não pagaram. São práticas que podem gerar estímulo ao não-pagamento pontual e às não-compras. Bom que o comércio faça ''queima'' de estoques, porque os beneficiados são o comprador, o vendedor e a dinâmica da economia, mas essa disparidade de preços tem também um aspecto negativo. Porque, além de um desrespeito a quem comprou na alta, pode ir afastando o cliente dos lançamentos de mercadorias e remetê-lo para a espera dos dias futuros das liquidações. Isto será um atraso e uma quebra de ritmo de um negócio que tem de ser contínuo e regular. O bota-fora só deve existir para produtos eventualmente com defeitos, ou que caíram de moda, ou aqueles de difícil venda a qualquer tempo. A fórmula mais inteligente recomenda para as vendas regulares o ano todo, sempre a preços convidativos para que o fluxo da entrada de dinheiro seja constante.

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