O mercado internacional está cada vez mais exigente quanto à importação de produtos agrícolas e industriais. Os grandes mercados não estão aceitando os produtos transgênicos, tendo em vista os efeitos que estes produtos poderão causar no futuro, além de prejudicarem sobremaneira o meio ambiente, já que quebram a cadeia natural.
Desta forma, o Brasil, possuidor de uma agricultura que atende às expectativas internacionais, sai na frente em relação ao mercado mundial. É lógico que teríamos que agregar valores a nossa produção com a industrialização ou, até mesmo, com uma semi-industrialização, para que uma saca de soja industrializada traga mais dólares para nossa balança comercial.
E, assim, com os demais produtos. Basta observarmos o alto crescimento, conforme já mencionamos anteriormente, da avicultura, suinocultura e pecuária no país. É bom lembrar que a nossa pecuária já agrega valores, pois exportamos produtos industrializados – caso dos embutidos – e também semi-industrializados – caso das carnes embaladas.
Mas, por que estamos falando que é a hora e a vez da produtividade? Por motivos bem simples: se o mercado internacional observa o nosso plantio com produtos naturais, sem qualquer manipulação para produtos transgênicos, tem a consciência que a cadeia produtiva, que depende da produção de grãos – caso da suinocultura, avicultura e confinamentos de bovinos – está consumindo produtos naturais.
Portanto, nossos produtos têm passagem livre nos mercados, devendo os produtores rurais e empresas exportadoras se unirem para aproveitar a vantagem no mercado internacional.
Em recente pronunciamento, o ministro da agricultura divulgou que está preparando o marketing internacional do Brasil, procurando demonstrar a qualidade da carne brasileira. Já adiantou que a divulgação irá consumir U$S 3 milhões.
Hoje, o mercado está na expectativa de auferir melhores cotações, principalmente no segundo semestre deste ano, quando o mercado internacional sentirá a falta do rebanho europeu nas mesas dos consumidores.
Está na hora da cadeia produtiva, desde produtores, laboratórios, frigoríficos e exportadores, se unirem, juntamente com o governo e entidades de classe ligadas a área, objetivando a divulgação in-totun dos nossos produtos.
Quando mencionamos que a hora é a da produtividade, estamos demonstrando que nos investimentos a serem distribuídos nesta área, existem perspectivas claras de retorno, não podendo, de forma alguma, continuarem os produtores a abater bovinos com três a quatro anos de idade, tendo em vista a agilidade e exigência da qualidade no setor.
Temos o maior rebanho comercial do mundo. Porém, um dos menores índices de desfrute. Para exemplificar o que é o índice de desfrute, basta tomarmos como base a quantidade de animais que dispomos em relação aos animais abatidos. Ou seja: a Argentina, com um quarto do nosso rebanho, abate metade dos bovinos que nós abatemos, o que tem relação direta com a tecnologia utilizada.
A produtividade está batendo a nossa porta e já demos mostras com a avicultura e a suinocultura. Está na hora da pecuária bovina de corte, juntamente com industrias do setor, demonstrar nosso potencial, já que qualidade é o nosso cartão de visita.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista, ex-gerente de banco e assessor financeiro em Londrina

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