Pelas maldades que seus adversários lhe atribuíam, o veterano político Antonio Carlos Magalhães foi apelidado de Toninho Malvadeza. Agora o presidente Lula, valendo-se de uma medida governamental que baixa ou mantém isenção de alguns impostos, deu a esse conjunto de medidas o nome de ‘‘pacote de bondades’’, para ressaltar a virtuosidade governamental. Primeiro, aumentou a carga tributária em 1,2 ponto porcentual em relação ao ano passado, e agora pratica o ato de ‘‘bondade’’ mantendo a isenção do pagamento da contribuição social para os produtores de leite, fubá e frango e reduzindo o imposto sobre a produção de programas de software. Faz lembrar a história do bode da ditadura russa. O povo andava reclamando muito da sangria tributária, então o governo resolveu castigar ainda mais os contribuintes, obrigando que cada lar abrigasse dentro de casa um bode e tratasse dele, sob pena de sanção. A presença do bode governamental foi um transtorno, até que um dia o governo praticou um ‘‘ato de bondade’’ e ordenou a retirada do animal. Os cidadãos, que em função do hóspede incômodo já haviam esquecido dos pesados impostos, aplaudiram e agradeceram. O que o governo Lula faz agora não é diferente. O peso dos impostos subiu para 38,11% no primeiro semestre do ano, então a medida agora tomada não será de salvação nacional. Medida ainda curta, e ademais tal isenção não é fato novo, pois já existia. O governo deveria saber que, quanto mais suga em forma de impostos, menos irá receber na continuidade, porque cai a produção e assim cai também o volume da tributação. Ao contrário, se a carga tributária diminui, a empresa retém em seu poder o valor correspondente e o emprega no negócio, gerando mais movimento e por extensão mais recolhimento de impostos e mais empregos, alavancando assim o desenvolvimento. É a lei sábia de ganhar pelo crescimento econômico e não pelo definhamento da empresa e da economia popular. Se, pela sanha arrecadadora, o dinheiro concentra-se em poder do governo, as bases se enfraquecem e a economia entra em colapso, gerando desemprego e todas as mazelas que daí decorrem. Esperava-se que o governo petista provocasse uma revolução de economia de gastos, de diminuição dos impostos e de retomada do crescimento, mas viu-se que até agora nada disto aconteceu, a ponto de uma medida governamental como esta ser qualificada de bondade. Naturalmente que um governo não deve pautar-se por atos de bondade mas por medidas consistentes – às vezes mais enérgicas que bondosas – e que propiciem ao Brasil saltos de qualidade. Diminuir impostos seria uma das principais medidas, mas de modo mais volumoso e abrangente, para que o dinheiro permaneça mais freqüentemente nas bases e não nas mãos do governo, que ali ele não tem função multiplicadora. Se o governo se abstiver da maior soma possível do volume da moeda circulante – reduzindo impostos – e deixá-la em poder da cadeia produtiva, verá o rendimento do erário aumentar, pela dinâmica do aumento da produção e dos negócios e, por conseqüência, o aumento inevitável e natural da arrecadação tributária. Quando ocorreu a tragédia de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, a primeira medida do presidente Bush foi diminuir impostos e facilitar o acesso do povo ao dinheiro. Em outras palavras, mais moeda circulante nas bases. Os R$ 2,5 bilhões que ficarão em poder de empresários e da população com o ‘‘pacote da bondade’’, pequeno que seja, terão reflexos positivos para a economia, e esta é apenas uma tênue amostragem do princípio inteligente de que menos dinheiro de posse do Governo e mais em poder das classes produtoras e do povo no geral, gerarão benefícios maiores para todos, inclusive para o Governo.

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