O bobo da corte Fernando Marrey Ferreira Nosso País está sendo governado por um intelectual que desenvolveu a teoria da dependência. Ele parte do pressuposto de que dependemos dos países desenvolvidos e, para crescermos, devemos nos internacionalizar; desta forma, o fluxo de capitais flui para o Brasil, além de termos acesso à tecnologia de ponta. Ocorre que esta internacionalização opera-se de forma assimétrica, os ganhos e o poder dos países desenvolvidos revitalizam-se de forma acelerada acentuando nossa dependência. Não absorvemos a tecnologia de ponta de forma significativa, pois as multinacionais dominam o mercado brasileiro destruindo a indústria nacional. Somos incompetentes para criarmos empresas nacionais que atuem internacionalmente. Deixamos de investir na produção de tecnologia nacional por total falta de investimento em consequência da não-vontade política. É o sucateamento de nossas universidades. A mudança de rumo no BNDES, com a entrada de Francisco Gros, proveniente do setor financeiro norte-americano, é mais um golpe nas empresas nacionais. O setor produtivo brasileiro vai ficando cada vez mais em segundo plano. Um país pobre como o Brasil não pode desperdiçar recursos escassos nestes financiamentos suicidas. O intelectual não estará mais no poder quando as consequências negativas desta política perversa vierem à tona. Vão construir 49 termoelétricas no Brasil com financiamento do BNDES, sendo que apenas 13 serão totalmente brasileiras. Ou seja, o banco mais uma vez está à disposição de grupos estrangeiros; o pior é que perdemos o controle estratégico neste setor que passará a ser exercido cada vez mais por estrangeiros. Esteban Serra Nont diz: ‘‘Não entendo por que o governo quer vender empresas que já estão pagas e dão lucro’’ , acerca da privatização das geradoras de energia elétrica do Brasil. A resposta à indagação de Esteban: talvez seja esta a necessidade de entrada de capital externo no País – vender empresas brasileiras aos estrangeiros é uma forma de obter estes capitais. O estímulo ao desenvolvimento nacional não é prioritário neste governo adepto da teoria da dependência. O nome do BNDES é Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; como a área econômica domina o banco, não sobra quase nada para se investir no social. As pequenas e médias empresas estão relegadas a segundo plano, os pequenos proprietários rurais, da mesma forma ficam sem recursos indispensáveis para desenvolverem-se; muitos virando novos sem-terra. Os movimentos populares devem intensificar a luta por espaço nesta sociedade gerida por estrangeiros. Os sem-teto de todo o País devem ocupar prédios abandonados, a Constituição Federal garante a função social da propriedade, os sem-terra devem aprender um tipo de luta mais eficaz; podem utilizar-se os métodos da Farcs da Colômbia, assim, garantindo pela força um vida digna para um contingente populacional excluído e miserável. O povo está sendo levado pelas marionetes da corte a aprimorar os métodos de luta social, pois, caso contrário, serão esquecidos e deixados ao relento pelos monetaristas da corte. O governo caiu numa cilada com sua política econômica voltada para os interesses externos e, apesar do povo ter votado duas vezes no intelectual que governa o País, pode mudar de idéia e iniciar um movimento nacional para tirá-lo do poder. FHC, apesar de ateu, julga-se Deus; parece forte internamente, com sua pose de tirano; na esfera internacional é mais frágil que um bibelô, levando o povo a pagar a conta por seus desvarios. Como nosso povo é pouco politizado por ser intencionalmente pouco escolarizado, não aprendeu a reivindicar dignamente seus direitos. É passada a hora de levantarmo-nos contra esta gente, os bobos da corte. - FERNANDO MARREY FERREIRA é advogado, especialista em Integração Regional e especializando-se em Jornalismo Internacional em São Paulo E-mail [email protected]