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po­de­rá ex­por to­das as
­suas ques­tões e en­ten­de­rá
que na­da há de obs­cu­ro
no cen­tro ­cirúrgico



Quando a cirurgia é indicada para o tratamento de uma doença, mesmo que todas as dúvidas já tenham sido esclarecidas pelo cirurgião, para o paciente e seus familiares existirá sempre mais um grande obstáculo a ser superado. Nascido na época das primeiras anestesias com éter e clorofórmio, este tabu, um estigma negativo que cresceu alimentado pelo medo do desconhecido, ainda permanece incólume no imaginário da nossa população: o temor da anestesia.
A realidade do centro cirúrgico dos grandes hospitais torna evidente o notável avanço alcançado pela medicina: pesquisas científicas desenvolveram materiais e medicamentos, fabricaram instrumentos, aparelhos e equipamentos que a cada dia aumentam a segurança do paciente e a eficácia dos procedimentos. Mais importante ainda, evoluiu o profissional, um ser humano com qualidades e defeitos como todos nós e que dedica a vida para aliviar a dor e o sofrimento do paciente: o médico anestesista.
Encontramos de um lado o paciente aflito com a doença, com a necessidade de submeter-se a um tratamento cirúrgico e apreensivo com a anestesia. E de outro, armado com os mais modernos recursos da tecnologia, está o anestesista preocupado em fazer o melhor para o paciente e propiciar as condições ideais para que o cirurgião realize com sucesso o procedimento.
Entretanto, sem informações como cirurgias anteriores, alergias, outras doenças ou remédios em uso e, principalmente, sem examinar o paciente, o anestesista encontra dificuldades para planejar, escolher o tipo de anestesia e medicamentos e providenciar equipamentos ou tomar cuidados especiais. Podem ficar sem respostas as perguntas do anestesista e as inúmeras indagações do paciente - que por mais simples, ingênuas ou insignificantes que possam parecer, merecem ser valorizadas, pois expressam, além de suas dúvidas, toda sua angústia e insegurança diante do inusitado.
Num momento de extrema fragilidade, inseguro e incapaz até de manifestar seu pudor ou seus sentimentos - atormentado por conceitos reais ou fictícios adquiridos ao longo da vida - o paciente poderá muitas vezes enxergar o centro cirúrgico como um palco de sacrifícios onde ele será atacado por um bando de desconhecidos mascarados e encapuzados, armados com enormes agulhas, serras e bisturis. Tudo pode parecer pavoroso.
A consulta com o médico anestesista atenderá ambas as partes e irá muito além de tranquilizar o paciente e seus familiares, desmistificando e elucidando todas as crenças e folclores e pondo fim às histórias do ''bicho papão do centro cirúrgico'' que ataca os adultos e também as crianças anestesiadas. Encontrando-se com o anestesista - desarmado, sem disfarces e em campo neutro - o paciente poderá expor todas as suas questões e entenderá que nada há de obscuro ou misterioso no centro cirúrgico, que está cheio sim, de máquinas e pessoas que só querem ajudá-lo a recuperar sua saúde. Confiante e otimista o paciente terá melhores condições para superar a cirurgia e também abreviar o tempo de recuperação - até as agulhadas podem ficar menos doloridas.
A doença nunca é só física e o emocional, o espírito, pode estar mais debilitado ainda. Não é a doença que deve ser tratada, mas sim o doente, o seu corpo e sua alma na sua plenitude. Dessa maneira, em quaisquer circunstâncias - o tratamento sendo realizado com ou sem cirurgia - é fundamental que pacientes e também médicos, tenham fé e acreditem que Deus estará sempre presente para proteger e mostrar a todos, o melhor caminho.
E tudo isso é tão sério que o Conselho Federal de Medicina já normatizou há alguns anos a obrigatoriedade da consulta com o médico anestesista - que nas cirurgias eletivas deve ser realizada nos consultórios e antes da admissão na unidade hospitalar. As resoluções CFM Nº 1802/2006 e CFM Nº 55/99, entre outras disposições, determinam que: ''A avaliação pré-anestésica é direito do paciente e dever do médico anestesista...''.

EDSON KENJI TAKAKI é chefe do serviço de cirurgia da mão e microcirurgia do Hospital Evangélico de Londrina

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