A guerra do Iraque ocupa o centro do jornalismo mundial. Mesmo nós neste cantinho do mundo, em nossos lares, não podemos nos afastar do conflito. A todo o momento, as notícias nos cercam, dando conta dos avanços da força americana. Tudo indica que em breve veremos o fim das manobras e o início de mais um episódio na história da dominação humana.
As forças são esmagadoramente desproporcionais. Contra a parafernália bélica de última geração dos EUA, está o acuado Saddam figura que o Ocidente motivado pelo império americano tenta satanizar ao extremo. É a luta do Bem contra o Mal, com a diferença de que o Bem encenado pelos interesses dos gringos não oferece nenhuma chance ao outro lado. Ao contrário do tradicional embate em que o Mal é poderoso e impõe sacrifícios à exaustão para que, finalmente, quando tudo parece perdido, surge a luz resplandecente da vitória do Bem.
Na guerra de informações os americanos vestem o uniforme do exército da libertação. Tentam representar a salvação para o mundo, pois o Iraque pode possuir armas de destruição em massa. Os mísseis assumem o papel de instrumentos de purificação, apesar de gerar morte e destruir tudo ao alcance.
Ao que vemos, o mundo não se convenceu da relevância das intenções materializadas pelo presidente norte-americano George W.Bush. Protestos clamando pela sensatez humana e por soluções diplomáticas são desconsiderados. Nada conseguiu mudar os planos da maior potência mundial que, na verdade, precisa de uma guerra de vez em quando para reafirmar constantemente o seu poder.
Ao esmagar Bagdá o recado será passado às demais nações: não ousem enfrentar os interesses do Senhor da América, o portador dos destinos da humanidade, o detentor da sabedoria máxima, capaz de reunir na sua lógica todos os elementos para proferir o veredicto universal de quem merece viver ou ser aniquilado.
Nessa guerra, onde tremula fulgurante o poderio militar avançado, há poucas chances para o desfecho místico. Porém, a maioria soberana dos olhos, que se voltam para as cenas da guerra, parece acalentar a esperança de que desse conflito surja um novo Davi para mostrar ao Golias da América que até mesmo os gigantes mais imponentes podem ruir.
Paulo Cezar Basilio é professor e vereador em Pinhão

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