Melhor do que o Governo fazer contas sobre quanto custa a aposentadoria de 491 mil idosos acima de 90 anos e de quase 17 milhões de aposentados no geral, é louvar que a longevidade de tanta gente, no Brasil, chegue a esse patamar.
Não bastasse primordialmente esse bem, o contingente dos aposentados é também consumidor e recuperador de dinheiro do povo que repousa no cofre do Tesouro e que ingressa mensalmente no meio circulante. Se os idosos representam também um custo social, foi para garantia de seu próprio bem-estar na velhice que eles recolheram encargos durante tanto tempo. É também para benefício pessoal que os cidadãos pagam impostos e não para alimentar as mordomias governamentais. Esse comentário vem a propósito do último censo detectando a existência de 16.620.982 beneficiários da Previdência.
Em 62,4% dos casos, os previdenciários acima de 60 anos de idade são os responsáveis pelo sustento deles e das famílias. O Governo, que tanto apregoa a transferência de renda por via da bolsa a famílias carentes, deve saber que essa comunidade de beneficiados do INSS nada mais faz que resgatar o que veio recolhendo ao longo de anos de trabalho. Portanto, esses cidadãos apenas se utilizam de um dinheiro que lhes pertence. São R$ 13 bilhões devolvidos todos os meses a aposentados e pensionistas, uma providencial injeção de dinheiro que beneficia, na continuidade, também a economia, porque é um montante que gira e que se decuplica. (Verdade que há os casos de abusos de aposentadorias, um mal que precisa ser corrigido de agora para o futuro). Havia casos de alguns beneficiados já falecidos, cujos familiares continuaram recebendo o benefício, o que o INSS já corrigiu. No recadastramento constatou-se um curioso fato: a existência no Brasil de 159 idosos com idade entre 110 e 125 anos.
O relevante é que as pessoas estão vivendo mais tempo, no Brasil, no confronto com o passado, quando com 40 anos o indivíduo já era considerado velho, e a com 60 já beirava o fim da vida. Com toda a certeza os padrões de saúde melhoraram, por conta dos avanços da medicina e das práticas de melhor cuidado pessoal. Bolsões de miséria ainda persistem, porque houve também aumento da população, mas os brasileiros ficaram mais longevos. Se durar muitos anos é um anseio de todos, mesmo com alguns desprazeres que a velhice traz, o Brasil já tem uma excelente performance nesse campo.
O que há a fazer é dar continuidade aos programas de amparo aos idosos, aperfeiçoando o sistema de saúde pública - ainda muito precário - e proporcionando atividade remunerada e lazer para os que vão chegando aos 50 anos. Porque neste país não se dá muito valor ao trabalho profissional dos mais velhos. As grandes conquistas relacionadas com a longevidade se devem muito mais à iniciativa particular, incluindo as muitas instituições de amparo não-governamentais e as famílias. Os governantes têm sabido mais fazer contas de quanto a velhice custa - e são eles, ironicamente, os grandes esbanjadores e dilapidadores da economia nacional.

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