O bem e o mal das sobras de remédios
Os remédios curam mas também podem ser prejudiciais quando consumidos aleatoriamente ou quando as sobras são lançadas fora prejudicando o meio ambiente. Reportagem de ontem deste Jornal mostra os perigos e dá indicativos de como cooperar para evitar esses males. Nunca se deve jogar no vaso sanitário tais medicamentos, porque acabam poluindo as águas e o solo. O mesmo ocorre se esses remédios vão para o lixo doméstico ou para terrenos baldios, porque da mesma forma acabam atingindo os lençóis freáticos, lagos e rios.
Aves e peixes são contaminados e podem ter sua estrutura sexual alterada, prejudicando a reprodução. No caso dos humanos, resíduos medicamentosos tóxicos podem provocar o desenvolvimento de câncer de mama, dos testículos e da próstata. Remédios ainda não vencidos podem ser encaminhados a instituições que os distribuem aos pobres, assim como aos postos de saúde, incluindo os fora de validade. Será preciso que as pessoas se conscientizem e façam um esforço extra, porque isto resulta em grande benefício.
As pessoas ignoram os perigos, e também as instituições governamentais do setor têm sido negligentes. De modo geral isso acontece com quase tudo o que tem a ver com a saúde pública. Não há regulamentação oficial, nem orientação ao público acerca dos perigos e do que fazer com as sobras de medicamentos. A reportagem resultado de um levantamento do jornalista Luciano Augusto mostra os muitos caminhos. Repita-se que dois deles são fundamentais: o envio desses remédios para os postos de saúde ou para os pontos que os selecionam e os distribuem aos carentes que deles necessitam. O Brasil onde é grande o porcentual de doentes figura entre os 10 países que mais consomem remédios, e se não bastasse a condenável automedicação, funciona nas farmácias a prática mercantilista da empurroterapia, que se traduz por empurrar medicamentos a torto e a direito à clientela desavisada. As sobras vendidas são prejudiciais ao ambiente e à saúde animal e humana, e as ainda válidas podem curar enfermidades e salvar vidas. Se os poderes públicos, em sua esfera político-administrativa, são omissos, a população não precisa ser.
Faltam campanhas de esclarecimento e isto seria fácil de promover dentro das próprias farmácias. A venda também de remédios fracionados foi convertida em obrigatoriedade mas parece que não está funcionando como devia, talvez por desinformação ou pouca divulgação. É necessário um trabalho conjunto das pessoas, poderes públicos, instituições ambientais, indústria farmacêutica e farmácias para disciplinar a questão dos medicamentos descartados.





