Não é todo dia que se chega ao 52 anos com a carinha da Deborah ''Darlene'' Secco e com o corpão da Juliana ''Jaqueline'' Paes. Só mesmo para quem pode, como é o caso da telenovela brasileira, que está comemorando aniversário hoje, justamente num dia em que não tem novela, nem reprise.
Quando foi ao ar o primeiro capítulo de Sua Vida Me Pertence, no dia 21 de dezembro de 1951, também não era todo dia que os brasileiros os poucos privilegiados que tinham aparelhos de televisão em casa podiam assistir as alegrias e tristezas dos personagens criados por Walter Foster. A novela era transmitida apenas duas vezes por semana e nada de gravações, era tudo encenado ao vivo mesmo. Imagina.
A trama ninguém lembra muito bem ou mesmo comenta, mas o que ficou para a história da televisão foi mesmo o tal do primeiro beijo televisivo entre os atores Vida Alves e Walter Foster. Se há 52 anos, o selinho chocou muita gente, hoje em dia, as ''liberdades'' que costumam indignar os telespectadores têm mais a ver com as cenas mais ousadas entre quatro paredes. Vira e mexe alguém diz que ''já não se fazem mais novelas como antigamente''. Ou então, ''ai, que saudades da Janete Clair'', autora de clássicos como Pai Herói, Irmãos Coragem e O Astro.
''As pessoas não estão gostando de novela como antes. Nós, brasileiros, somos muito família e as novelas só têm traição, maldade. Antigamente era muito melhor'', conta a profissional liberal Gilbraci Barbosa. Mesmo não gostando das tramas atuais, Gilbraci confessa que assiste todos os dias porque o que acontece na telinha acaba se transformando em assunto para conversas no trabalho, com os amigos, com a família.
No país do futebol, telespectadores também torcem por seus personagens preferidos e vibram com as vitórias dos finais felizes. E a história conta que, assim como nas finais da Copa de Mundo, o Brasil também já parou muitas vezes sem desgrudar os olhos da telinha no capítulo final. Por isso mesmo qual não é a surpresa de quem sai pelas ruas e descobre que, acreditem, a resposta para a pergunta ''você gosta de novela?'' já não é mais tão positiva quanto se imaginava.
''Não porque sou lavado e remido no sangue de Jesus'', avisa um. ''Prefiro tocar teclado'', responde a dona de casa Maria Helena Rezende. Aonde foram parar todos os noveleiros de carteirinha? Gente que fez o Brasil se tornar um exportador importante. O cubano Fidel Castro gostou tanto de A Escrava Isaura que virou fã de Lucélia Santos, que por sinal, é reconhecida por seu personagem até na China.
Em Portugal, nem é preciso de tradução, apesar do português de lá ser bem diferente do que se fala por aqui. Mas quem liga? Daqui a pouco, o país que descobriu o Brasil já vai estar falando o carioquês dos personagens de Manoel Carlos ou mesmo um erre puxado das tramas rurais de Benedito Ruy Barbosa.

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