O mercado internacional deve ditar as regras para o futuro da produção agrícola brasileira, no momento em que os transgênicos, ainda proibidos no País, surgem como uma alternativa economicamente viável para quem produz – o que levou à descoberta de várias áreas no Paraná onde soja geneticamente modificada é ilegalmente cultivada –, mas sofrem sérios questionamentos por parte de quem consome. Reportagem especial produzida pela Folha e publicada na edição de ontem serve de alerta ao agricultor, que quando chamado a se decidir sobre o tipo de agricultura a ser implatando em suas terras, deve pesar quais são as vantagens e as desvantagens de um e de outro.
É evidente que as dúvidas sobre os efeitos dos transgênicos no meio ambiente e no organismo humano ainda persistem e se prolongarão por tempo imprevisível, por mais que debates científicos envolvendo pesquisadores favoráveis e contrários à nova tecnologia ocorram. Além disso, há posicionamentos de especialistas em agronegócios defendendo que a produção em larga escala de transgênicos trará consequências negativas para as exportações brasileiras não somente de soja, mas também de carnes de frango e suíno, uma vez que a oleaginosa é componente das rações destas criações. Esta preocupação é procedente e deve ser rigorosamente analisada pelo produtor.
Entretanto, o que mais deve pesar na decisão, caso a produção de transgênicos seja liberada no Brasil, é o comportamento do mercado internacional. Consumidores de países desenvolvidos, como já o fazem, não permitirão que os geneticamente modificados sejam expostos nas prateleiras de seus supermercados. E, se preciso, organizarão protestos, minando com a possibilidade desses produtos terem mercado fácil em seus países. Sendo assim, nem o argumento de que o cultivo dos transgênicos tenha um custo de 10% a 30% menor que o convencional é forte o bastante para uma opção que diz respeito à atividade que visa o ganho do agricultor e do pecuarista brasileiro.

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