''As pessoas não buscam droga para morrer, mas como mecanismo de prazer.'' A frase da professora Araci Asinelli, da Universidade Federal do Paraná, explicita um aspecto das drogas que raramente é enfocado: o fato de tais narcóticos serem fonte de prazer.
Com receio de que essa informação sirva como incentivo, quase todo o material educativo em torno do tema omite esse fato. É claro que o principal é enfatizar o quão prejudiciais as drogas são. No entanto, mostrar seu verdadeiro efeito não é fazer apologia ao uso, e sim encarar o problema de maneira mais lúcida. Afinal, é óbvio que se as drogas fossem apenas aquilo que é apresentado na tevê, ninguém insistiria em consumi-las.
Se partisse do princípio de que as drogas dão prazer, toda a campanha publicitária governamental poderia mostrar como esse ''barato'' sai caro depois, já que se trata de uma atividade ilegal e o vício, inevitavelmente, acaba destruindo a produtividade, as relações sociais e o futuro dos usuários, principalmente no caso da cocaína e do crack.
Admitindo essa informação, o trabalho educacional poderia - como bem sugere a professora - oferecer mais do que atividades pontuais de alerta contra os malefícios. Poderia apresentar à comunidade outras opções igualmente prazerosas e muito mais construtivas, como o esporte e a cultura.
Tirar R$ 253 milhões do mercado de drogas, prender traficantes e internar usuários são ações necessárias e é importante que haja investimentos em tratamento, fiscalização e policiamento. Mas isso é apenas uma tentativa de apagar o incêndio. Não evita que outros focos surjam em novas áreas, nem elimina o agente causador do fogo.
E a prevenção passa obrigatoriamente por um trabalho educativo sério nas escolas, composto por ações sistemáticas e continuadas. Mas, para tudo isso, primeiro é preciso tratar o problema com clareza, e sem subestimar a capacidade intelectual das nossas crianças e jovens.

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