O Banestado está muito barato
O Banestado está muito barato
Paulo Afonso Rodrigues
Será que ninguém notou no mercado que estão tentando privatizar o Banestado para o Banespa ter um preço balizador? Em recentes artigos, vimos nos manifestando em relação à privatização do Banestado e à falta de cuidado que esta privatização está merecendo por parte de nossos políticos e da sociedade em geral. Já havíamos alertado que o nosso banco era e continua sendo superior às picuinhas políticas, pois o que está em jogo é o patrimônio de décadas da formação e reestruturação de nosso banco de fomento.
Não é o momento de criticar este ou aquele governo, mas sim de unir forças com o objetivo único de verificar o realizado e achar uma saída para uma administração simples e objetiva, porém, honesta, para o nosso banco não ser entregue aos leões após a utilização dos R$ 5 bilhões para o seu saneamento.
O preço mínimo de R$ 434 milhões para a privatização do Banestado irá, com certeza, estimular o mercado já que, por exemplo, se o comprador pagar pelo banco a quantia de R$ 1,434 bilhões, poderá abater em seu Imposto de Renda a quantia módica de R$ 1 bilhão. É mais um brinde para quem comprar nosso único banco de fomento.
Somente para lembrar: os dois maiores bancos privados do Brasil noticiaram um lucro recente capaz de comprar dois Banestados pelo preço mínimo anunciado. Convenhamos: ou o setor está tendo muito lucro ou o Banestado está muito barato!
A questão agora é sanear o Banestado, garantir empregos e mostrar que a união global do povo paranaense poderá servir de exemplo para os paulistas em relação à privatização do Banespa.
Será que ninguém notou no mercado que estão tentando privatizar o Banestado para o Banespa ter um preço balizador? Teria o governo de São Paulo tanta força em detrimento do Paraná? Sem falar da estratégia política de se privatizar os dois bancos em períodos longínquos das candidaturas para governador e presidente.
É o momento de verificarmos a viabilidade de salvar o Banestado, estudando passo a passo os procedimentos necessários. Politicamente, os nossos senadores deveriam comprar a briga em nome do Paraná e do seu povo, viabilizando uma verificação completa em todos os procedimentos a serem tomados. E, por favor, não vamos relembrar os governos anteriores e nem o atual, pois estes questionamentos não devolverão nosso banco.
Quanto à inércia de alguns setores em relação ao fato, quase que irreversível da privatização, gostaria de lembrar mais uma vez: um velhinho que hoje percorre 20 ou 30 quilômetros para receber sua aposentadoria, está torcendo pelo sucesso da viabilidade do salvamento, porque senão, terá que percorrer 100 ou 120 quilômetros para receber sua fortuna, todo o mês, já que muitas agências correm o risco de serem extintas.
Quem observar este exemplo acima, pode pensar que o Banestado tem cunho social. Engana-se, já que se trata de um banco altamente automatizado, com uma modernidade de causar inveja aos maiores bancos privados do País, atuando em todos os segmentos na área financeira com o seu banco e coligadas.
Antes de abraçar a profissão onde atuo, meus pais escolheram o Paraná como berço de nascimento, e não seria justo deixar escapar por entre os dedos uma instituição financeira, na qual, após uma verificação completa, teria grandes chances da sua manutenção ser extremamente viável.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina





