O balanço socieconômico de 2024
Resultados ultrapassaram todas as expectativas do mercado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de março de 2025
Resultados ultrapassaram todas as expectativas do mercado
Luís Miguel Luzio dos Santos 

Os dados socioeconômicos de 2024 são divulgados ao longo de 2025, por isso é importante avançar alguns meses para uma avaliação mais adequada. Em 2024 o PIB brasileiro fechou em R$ 11,7 trilhões, crescimento de 3,4%, por sua vez, o PIB per capita subiu 3% e ficou em R$ 55.247,45. Resultados que ultrapassaram todas as expectativas do mercado.
O bom desempenho da economia foi particularmente impulsionado pelo setor de serviços (3,7%) e pela indústria (3,3%). A agropecuária sofreu queda de 3,2%, impactada por eventos climáticos adversos. Os principais motores do PIB foram o consumo das famílias, que avançou 4,8%, fruto de um mercado de trabalho aquecido (com desemprego de apenas 6,5%), elevação real do salário mínimo, além do impulso fornecido pelos programas de transferência de renda do governo.
A formação bruta de capital fixo, ou seja, investimento na capacidade produtiva, teve uma expansão de 7,3% sobre o ano anterior, com destaque para a construção civil e bens de capital. Ainda assim, o investimento brasileiro representa apenas 17% do PIB, insuficiente para repor a depreciação do capital e proporcionar um crescimento sustentável sem ameaças constantes de inflação.
Confirmada a previsão de crescimento do PIB para 2025 na casa de 2%, a expansão acumulada nos últimos três anos ficará próxima a 9% (média anual de 3%), algo a se comemorar diante do quadriênio anterior com média de 1,1% ao ano.
Em 2024, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 74,5 bilhões, uma queda de 24,6% em relação a 2023, causada pelo aumento das importações. A inflação, que fechou o ano em 4,7%, 0,2% acima do topo da meta, tornou-se a maior preocupação para 2025. O segmento de alimentos foi o mais impactado, comprometendo, em especial, os mais pobres.
A taxa básica de juros (Selic) fechou o ano em 12,25%, mas acentua sua subida em 2025 como forma de conter a inflação. O impacto dos juros sobre a atividade econômica não é imediato, tende a se fazer sentir 6 a 8 meses adiante. A intenção é deslocar a inflação para o centro da meta, estabelecida em 3%, com tolerância de 1,5% para mais ou para menos.
O dólar encerrou 2024 cotado a R$ 6,17. A valorização da moeda norte-americana se deve a diversos fatores: conflitos internacionais, nível de juros nos Estados Unidos e expectativas em torno das contas públicas brasileiras, além do elemento especulativo.
O déficit primário (resultado fiscal antes do pagamento de juros da dívida pública), ficou em (-) 0,1%. A dívida bruta, passou a representar 76,1% em relação ao PIB. Ainda que o déficit deva ser controlado e exija cuidados, há um componente político que o super explora, adjetivando-o de calamitoso e descontrolado, algo bem distante da realidade.
Embora 2025 não demonstre o vigor econômico dos dois últimos anos, a economia não é uma ciência exata, e alguns fatores podem surpreender positivamente. O reajuste do salário mínimo previsto para este ano, tem um forte impacto sobre a demanda. A possível isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5.000 mensais, caso seja aprovado no Congresso, é outro importante estímulo econômico.
A possibilidade de resgate do Fundo de Garantia para quem optou pelo "saque-aniversário" e a ampliação do crédito consignado, podem trazer benefícios. A safra agrícola deste ano apresenta sinais de otimismo e tende a contribuir para a dinamização da economia e redução dos preços dos alimentos. No entanto, o indicador mais importante é que 15 milhões de brasileiros deixaram de passar fome, e a expectativa é que nos próximos dois anos possamos sair do mapa da fome da ONU. É bom lembrar que isso ocorreu em 2014, mas retornamos em 2021.
Luís Miguel Luzio dos Santos, professor de socioeconomia na UEL


