Os números não mentem jamais: Londrina está em 189º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (o IDH) entre as cidades brasileiras. O indicador não é apenas ruim, mas péssimo, e aponta o dedo para a baixa operância dos poderes públicos. Esta classificação não é novidade, mas foi ressaltada ontem em reportagem deste Jornal. A perda da posição para Joinvile - como terceira cidade do sul do País - já era mais velha do que se pensava quanto ao IDH e só despertou a atenção quando também a população da cidade catarinense superou a de Londrina. Afora vaidades feridas, é irrelevante ser maior ou menor, mas preocupa saber-se que tão baixa cotação da metrópole norte-paranaense se deve às precárias condições de vida de quase 50 mil londrinenses nos itens da taxa de matrícula escolar, da média de vida, da renda per capita, e na continuidade da moradia, da segurança pública e por aí em diante. A negligência não é só da gestão municipal mas também da dos outros poderes. Um exemplo é que o Batalhão da Polícia Militar já teve 1.200 homens e agora só tem 800. A cidade cresceu e a Polícia diminuiu, no dizer de Jorge Coimbra, presidente do Conselho Comunitário de Segurança. Na reportagem, números oficiais são mostrados, mas eles são insuficientes, tanto que Londrina - que figura entre as 30 maiores cidades brasileiras, superando algumas capitais - está em tão baixa situação em IDH. Os culpados são muitos: os administradores públicos municipais, os vereadores, os deputados estaduais e federais e também lideranças comunitárias que no mais dos casos cuidam de seus problemas intestinos (os da própria corporação) mas muito pouco dos da comunidade. A própria existência de uma greve dos servidores da Prefeitura - uma praga social que já dura mais de dois meses - é uma demonstração da deterioração política da cidade. Porque falta diálogo, falta ação preventiva desses transtornos e falta ação curativa. Péssima moradia e saneamento precário afetam 10% da população, e junto dessas mazelas somam-se as do baixo índica de saúde, do desemprego e da consequente violência, especialmente os atentados contra o patrimônio. Os problemas nesta cidade grande têm crescido mais do que a rapidez dos governantes em solucioná-los, portanto um descompasso do ritmo. Se Londrina apresenta um aspecto exuberante em sua paisagem geral e é avançada em tantos setores - podendo-se afirmar que tudo o que se encontra nas grandes cidades também se encontra nela - a verdade é que na periferia estão grandes conglomerados humanos vivendo miseravelmente. Esses retratos não aparecem nos cartões postais, mas eles existem. E isto é que coloca a cidade no pouco lisonjeiro 189º lugar.

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